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08/03/2006
Cooperação
08/03/2006

Dia Internacional da Mulher

Uma mulher mais forte

Luiz Paulo Bellini

É dia internacional da mulher. Hoje, 8 de março, milhares de mulheres comemoram o episódio ocorrido em 1857 nos Estados Unidos, em que funcionárias de uma fábrica de tecidos de Nova Iorque se rebelaram contra as condições precárias de trabalho.

Foi a primeira vez na história que mulheres se uniram para reivindicar melhorias. Infelizmente, a rebelião foi contida de forma violenta, terminando com a morte de 129 tecelãs.

Outras datas são marcantes na história das mulheres. Em 1865, na Alemanha, foi criada a Associação Geral das Mulheres Alemãs. Na França, em 1870, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.

Quatro anos mais tarde, em 1874, surge no Japão a primeira escola normal para moças. Em 1878, na Rússia, foi fundada a primeira Universidade Feminina Russa. No Brasil, em 1932, foi instituído o voto feminino.

Como resultado, a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidos, em 8 de março de 1975, estabeleceu que este deveria ser o dia da emancipação feminina. Desde então, todo ano, centenas de milhares de flores são enviadas pelo mundo todo.

Especiais em televisão, jornais e revistas são lançados. Novos perfumes, propagandas direcionadas para as mulheres e muitas outras formas de homenagens são desenvolvidas.

No Google, site de busca na internet, se você procurar por “dia da mulher” encontrará 267 mil resultados. Por curiosidade, digite “dia do homem”. Serão apenas 12 mil resultados. E ainda há aqueles que afirmam que o homem não precisa de dia especial, pois todos os outros dias do ano são dele.

Na última década, o tema que mais esteve e ainda está em pauta no universo feminino é a questão das mulheres no mercado de trabalho. No Brasil, segundo o IBGE, elas ocupam 44% da população economicamente ativa. Em 1976 eram 29%.

Na China, de acordo com dados do governo, essa porcentagem é de 38%. Embora, neste país, elas tenham adquirido o direito a nove anos de escolaridade obrigatória somente em 2001.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico [OCDE], as mulheres são os principais artífices da educação brasileira. Do total de professores, elas ocupam 83% das vagas disponíveis, desde o nível básico até o superior.

Dos 34 países analisados pela organização, este é o maior índice. Em nações desenvolvidas como Estados Unidos, Alemanha e Japão, o percentual feminino não ultrapassa os 65%.

No comando de 17% das empresas no Brasil, as mulheres mostram que são iguais aos homens. Não há diferença na questão da capacidade. Elas até estudam mais e conseguem controlar mais o próprio tempo, pois muitas ainda têm filhos, ou filhas, para cuidar em casa – 89% são mães solteiras. Que homem consegue isso?

Na esfera política elas estão ganhando espaço. Dos 191 países membros da ONU, elas ocupam os principais postos em 6%, ou 11 países. Este total parece pequeno, mas praticamente dobrou nos últimos anos.

Elas comandam desde grandes nações, como Michele Bachelet, no Chile, Angela Merkel, na Alemanha, Helen Clark, na Nova Zelândia, até pequenas ilhas, como Maria do Carmo Silveira, em São Tomé e Príncipe.

Chega a um total de US$ 3 trilhões de Produto Interno Bruto [PIB]. Quem sabe, em 2009, mais US$ 12 trilhões sejam acrescentados na conta corrente feminina? Afinal, as mais cogitadas para disputar a presidência do país mais rico do mundo são Hillary Clinton e Condolezza Rice.

Elas estão aí para o que der e vier. A primeira forma de sociedade foi matriarcal, quem sabe voltará a ser? Será melhor? Mais justa? Talvez. Minha avó já dizia: quando as mulheres passarem a comandar o mundo provavelmente teremos menos guerra e mais justiça social.

Luiz Paulo Bellini é bacharel em relações internacionais, consultor de projetos e fundador do Portal MundoRI.com. E-mail: luizbellini@mundori.com.

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