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Uma política de conchavos, covardes e decepções

Uma política de conchavos, covardes e decepções

Marcelo Rech

Na tarde desta quarta-feira, 12 de setembro, o Senado Federal desnudou mais um capítulo da hipocrisia política que impera no Brasil.

Ao absolver o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), com 40 votos, mais seis abstenções, o Senado mostrou ao país que a covardia e a canalhice são marcas registradas da política brasileira, pouco importando as ideologias de plantão.

Mostra ainda que o Partido dos Trabalhadores, um entidade, um patrimônio da política nacional, depois dos 40 ladrões, topa qualquer coisa.

O PT é o grande responsável pela sorte de Renan Calheiros e o governo trabalhou para que o senador não se transformasse num novo Roberto Jefferson.

Da Europa veio a ordem para que o mandato do aliado que sabe muito, fosse preservado. Também de lá foi costurado o acordo que manteria os privilégios do senador, mas com uma licença estratégica de quatro meses.

Ocorre que nem tudo foi bem amarradinho e Renan Calheiros, que sabe pacas desde a época em que o regime era parlamentarista com José Dirceu no papel de primeiro-ministro, decidiu que não sai. Traiu os acordos que o salvaram e o PT/Governo, que traiu a sociedade, a militância, os éticos.

Se esta mesma sociedade está mais uma vez engasgada com a decisão, sabe a quem dirigir sua insatisfação. Sabe quem colocou dinheiro, cargos, privilégios, e muito mais, na cota de senadores que não têm condições morais de permanecerem onde estão.

E, como já não existem mais surpresas na política brasileira, os covardes que se esconderam numa sessão clandestina, envergonhados de serem ouvidos defendendo a corrrupção ou sofrendo intimidações por conta de passados e presentes pouco recomendáveis, ainda mentem de forma descarada.

Pelo menos 46 senadores disseram que votaram pela cassação do colega, mas só 35 votos apareceram.

Além disso, as seis abstenções são ainda mais graves, pois partiram daqueles que só queriam continuar amigos de todos, não queriam perder seus nacos de poder no governo, mas também manter a portinhola da oposição sempre aberta. Foram mais tucanos que os tucanos, os petistas.

Agora, é momento de se avaliar o custo do Congresso para o país. Os sem-vergonha já deixaram claro que impunidade e corporativismo andam juntos. Nós somos os que os colocamos nestes postos. Ou tomamos nós, vergonha na cara ou nos calamos de uma vez.

E, como exemplo, vem o senador Aloizio Mercandante (PT-SP), afirmar que se absteve, como se isso lhe garantisse alguma dignidade. Que tipo de covarde é esse senador que já foi cotado até para ser o sucessor de Lula?

No Plenário trabalha para absolver o aliado, mas na hora de votar negá-lhe o apoio? É um covarde! É uma desonra para a política (já que é orgulho para o seu partido), para o Congresso, para o país. Se buscou votos para salvar Renan, por que se absteve?

Nos resta agora, imaginar o que tanto teme o PT e o governo que depois da quadrilha que está sendo julgada pelo Supremo Tribunal Federal, chancela a salvação de um aliado mais sujo que pau de galinheiro.

E que os xiitas radicais contem até 10 antes de se arvorarem como paladinos da ética, da moral, da verdade. O grupo que chegou legitimamente ao poder em 2002 e 2006, pode qualquer coisa, menos isso. Um grupo tirou do partido todo e qualquer direito de defender ética na política e moral na vida pública.

Os calhordas que absolveram Renan Calheiros são da mesma escola que ignorou os mensaleiros e que a cada dia, joga o Congresso Nacional na lama, cada vez mais distante da população que dizem defender.

É a política dos conchavos, dos grupelhos, das paróquias. Não foi desta vez que elegemos um governante capaz de colocar os interesses do Estado acima dos objetivos pessoais.

E a grande mídia que tanto criticam é a mesma que usaram para defenestrar Fernando Collor e outros. O problema é que essa gente não aceita críticas, se consideram acima do bem e do mal e tudo justificam com as esmolas que dão aos ignorantes que entre a roubalheira e a fome, elegem a fome para combater.

Marcelo Rech é antes de tudo, um indignado, um brasileiro que paga quatro meses de trabalho em impostos, que não pertence à elite, mora de aluguel e só terminou a faculdade na terceira tentativa por falta de condições econômicas. Tem dois filhos e os ensina todos os dias que roubar e mentir é errado!

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