Brasília, 20 de outubro de 2018 - 21h47

Uma saída para Honduras, uma saída para o Brasil

28 de setembro de 2009
por: InfoRel

Marcelo Rech

Ao abrigar o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, em sua embaixada em Tegucigalpa, o Brasil entrou definitivamente na crise local.

Sair dela já seria bem complicado sem o ultimato do governo golpista de Roberto Micheletti, dando dez dias para que Lula defina o status jurídico de Zelaya.

Micheletti estuda ignorar a imunidade diplomática de um governo que não lhe reconhece e invadir a embaixada para retirar Zelaya à força.

E o governo golpista não parece disposto a ceder.

Ao manter o cerco à embaixada brasileira, Micheletti desafia o Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Organização dos Estados Americanos e o Brasil, claro.

Nesta segunda-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, descartou o envio de tropas para garantir a segurança da embaixada do Brasil em Honduras.

Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) está pronto para seguir à América Central com um grupo de deputados que sonha fazer a mediação da crise.

Dificilmente uma missão parlamentar como esta terá condições de pôr fim à crise.

O avião da Força Aérea Brasileira sequer deverá aterrizar em Tegucigalpa uma vez que as relações bilaterais estão congeladas.

No atual cenário, somente a realização das eleições marcadas para novembro colocaria um ponto final na crise.

Manuel Zelaya ficaria abrigado na embaixada até a posse do novo presidente que lhe concederia anistia.

Ocorre que Zelaya não aceita as condições impostas pelos golpistas que não aceitam as imposições do presidente deposto.

Como Honduras não tem petróleo nem gás, só bananas, a comunidade internacional está pouco preocupada.

Golpes

Hoje, completam-se 30 dias do golpe aplicado por civis com o apoio das Forças Armadas hondurenhas.

Os golpistas afirmam que apenas seguiram a Constituição ao destituírem o presidente que insistia em realizar uma consulta popular sobre uma possível reeleição.

O golpe supostamente preparado por Zelaya, como dizem seus inimigos e algozes, ficou no terreno das possibilidades.

Já o golpe sofrido por ele, foi contundente. O presidente foi arrancado de sua casa e colocado num avião que o deportou para a Costa Rica.

Pode-se até aventar que a destituição de Manuel Zelaya pretendia preservar o regime democrático de Honduras, mas não há como negar que são golpistas aqueles que executaram a operação.

Um erro não justifica outro. Não é com ilegalidades que se combate os ilegais.

Marcelo Rech, 38, é jornalista com pós-graduação em Relações Internacionais e especialização em Estratégias e Políticas de Defesa. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

Assuntos estratégicos

Comunicado Conjunto dos Chanceleres da Espanha e do Brasil

Comunicado Conjunto dos Chanceleres da Espanha e do Brasil

Os chanceleres de Espanha, Josep Borrell, e do Brasil, Aloysio Nunes, mantiveram encontro de...
Declaração do G4 sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Declaração do G4 sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Em 25 de setembro de 2018, Sua Excelência a Senhora Sushma Swaraj, Ministra das...
Comunicado Conjunto do BRICS

Comunicado Conjunto do BRICS

Os Ministros das Relações Exteriores/Relações Internacionais do BRICS...