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UNASUL: batismo de fogo

UNASUL: batismo de fogo

Marcelo Rech

Na próxima sexta-feira, 20, os ministros das Relações Exteriores da Colômbia, María Ángela Holguín, e da Venezuela, Nicolás Maduro, se reúnem em Caracas.

Caberá aos dois, concretizar o que politicamente os presidentes Juan Manuel Santos e Hugo Chávez, acordaram na semana passada em Santa Marta.

Para o venezuelano, o papel desempenhado pela União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) foi fundamental para que Colômbia e Venezuela não fossem à guerra.

Na prática, Hugo Chávez foi isolado na região inclusive com as declarações de Fidel Castro – de que a Colômbia não tem planos de invadir a Venezuela – determinantes para que o líder bolivariano aceitasse conversar.

Chávez também percebeu que o embate só piorava a crise econômica interna com o desabastecimento, especialmente de alimentos.

No dia 26 de setembro, a Venezuela realiza eleições legislativas e a oposição começa a crescer em todo o país.

Pode-se dizer que o momento exigiu um recuo estratégico do comandante bolivariano.

UNASUL

A UNASUL foi importante neste processo, mas não determinante.

Para a Venezuela, o mecanismo mostrou força e capacidade de atuar, algo que a OEA, por exemplo, há alguns anos não mostra.

Ainda assim, imaginar que a centenária Organização dos Estados Americanos possa ser substituída pela recém-nascida União das Nações Sul-Americanas, é demais.

A América do Sul ganha um organismo que bem trabalhado e imune a contaminações ideológicas, pode contribuir para a estabilidade regional.

Os Estados Unidos e seus aliados na região, Chile, Colômbia e Peru, não permitiram que a UNASUL se fortaleça a ponto de ameaçar a existência da OEA.

Mesmo os elogios do Departamento de Estado devem ser recebidos com prudência.

Pode soar estranho, mas um conflito armado na América do Sul é tudo que os Estados Unidos não querem e não desejam.

Muitas vezes, é melhor tolerar governos hostis a ir à guerra contra eles.

Se o preço a pagar pela estabilidade regional for a UNASUL, então que ela seja bem-vinda, mas seus passos são monitorados de perto e o seu avanço controlado.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org

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