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Unasul em busca de institucionalidade

Unasul em busca de institucionalidade

Marcelo Rech

Nesta terça-feira, o ex-presidente da Argentina, Nestor Kirchner, foi eleito Secretário-Geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), e conduzirá o processo de institucionalização do mecanismo.

Até o momento, apenas quatro dos 12 países que a integram, ratificaram o Tratado Constitutivo. Entre os que não o fizeram está o Brasil.

A Unasul precisa ser ratificada por pelo menos nove países para que seus mecanismos como o Conselho Sul-Americano de Defesa, possam funcionar plenamente.

Além disso, a Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), agora está sob o guarda-chuva da Unasul.

Trata-se de um conjunto de projetos dos doze países sul-americanos para promover o desenvolvimento da infra-estrutura de transporte, energia e comunicações, através da integração física regional.

Kirchner foi eleito por unanimidade num processo em que nenhum outro nome foi apresentado.

Até então, o presidente do Equador, Rafael Correa, presidia o bloco.

O ex-presidente argentino aguardava desde 2008 por este momento.

O Uruguai vetou seu nome na gestão de Tabaré Vázquez e a saída foi esperar pela posse de José Mujica que o apoiou contrariando os interesses uruguaios.

Mujica aposta numa saída negociada com a Argentina por conta da fábrica de celulose finlandesa que deve funcionar às margens do rio Uruguai.

Ressaltou, no entanto, que não impôs condições. Seu voto, afirmou, foi pela América do Sul.

Também o Peru e a Colômbia não se entusiasmaram com Kirchner. Alan García e Álvaro Uribe não compareceram.

Resta saber se o chefe do peronismo terá habilidade para conduzir a Unasul.

Como presidente, Kirchner protagonizou momentos desagradáveis ao ignorar encontros presidenciais ou mesmo abandoná-los como fez em 2004 na Cúpula do Mercosul em Ouro Preto (MG).

Ele sempre reclamou do excesso e da chatice das reuniões regionais.

Sua visão das Relações Internacionais nunca foi além das fronteiras argentinas, por mais contraditório que seja.

Foi ele o principal responsável pela crise ainda sem solução com o Uruguai.

A exemplo dos políticos provincianos está rico, tem um cargo no Congresso e fez da mulher a sucessora.

Não está claro se Nestor Kirchner é de fato o nome mais indicado para fazer da Unasul mais que uma sigla.

Seus rompantes autoritários e ambições políticas complicam sua posição de negociador-conciliador.

A América do Sul precisa de muita coisa e não pode se dar ao luxo de sustentar mais uma burocracia para atender aos caprichos de A ou B.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

 

 

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