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UNASUL mantém suspensão do Paraguai

UNASUL mantém suspensão do Paraguai

Brasília – A União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) decidiu em reunião de Cúpula realizada na última sexta-feira, 30, em Lima, manter a suspensão do Paraguai do bloco, em vigor desde junho. A decisão causou revolta em Assunção.

Em nota oficial, o ministério de Relações Exteriores do Paraguai acusou os países da UNASUL de “perseguição sistemática”. O governo de Federico Franco pretende agora iniciar uma ofensiva diplomática para reverter a decisão antes das eleições presidenciais de abril de 2013.

De acordo com a chancelaria paraguaia, todas as embaixadas e consulados do país estarão envolvidos para tornar pública a postura sul-americana.

Mesmo após o relato feito pelo coordenador do Grupo de Alto Nível da UNASUL, Salomon Lerner, que esteve em Assunção há uma semana, os chanceleres e Chefes de Estado dos países da UNASUL decidiram manter a suspensão.

As eleições presidenciais no Paraguai estão marcadas para 21 de abril do próximo ano e serão monitoradas pela UNASUL. Em seu relato, Lerner afirmou que a democracia vai bem no país vizinho.

Segundo o ministro de Relações Exteriores brasileiro Antonio Patriota, “os Chefes de Estado homologaram a decisão dos chanceleres de estabelecer que a UNASUL acompanhará este processo, para que haja uma plena reincorporação do Paraguai a partir de uma constatação de que foi reestabelecida a plena vigência da democracia no Paraguai”.

Patriota explicou ainda que a situação do Paraguai será “reexaminada a partir das eleições”.

O governo paraguaio também reagiu negativamente a declarações feitas pelo assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, na quarta-feira, 28, na Argentina.

No comunicado da chancelaria paraguaia, “a decisão da UNASUL não causou surpresa alguma ao governo do Paraguai, ainda mais porque foi anunciada previamente pelo assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência do Brasil, constituído em porta-voz ad hoc da UNASUL, que declarou, antes de escutar o relato do coordenador de seu próprio Grupo de Alto Nível, que a UNASUL não vai dar marcha atrás na suspensão”.

O Paraguai esperava pelo fim da suspensão para poder retornar também ao Mercosul. O bloco terá sua última reunião de 2012 no dia 7 de dezembro em Brasília com as presenças dos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela; José Mújica, do Uruguai; e Cristina Kirchner, da Argentina.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

O relato de Salomon Lerner foi positivo ao Paraguai, mas a decisão de manter a suspensão do país já estava tomada muito antes da reunião da UNASUL em Lima.

Como o ingresso da Venezuela ao Mercosul deu-se exatamente com a suspensão paraguaia, ninguém queria uma saia-justa em Brasília onde a presidente Dilma Rousseff será a anfitriã da última Cúpula do Mercosul do ano.

A ideia é discutir o assunto novamente e a principal avaliação será: o Paraguai reincorporado ao bloco poderá pedir a exclusão da Venezuela? É importante recordar que o Paraguai não foi expulso do Mercosul.

No seu retorno poderá legitimamente invocar o Tratado de Assunção para questionar a legalidade do ingresso venezuelano – não ratificado, como prevê o documento que cria o bloco, pelo Congresso paraguaio.

A menos que o Paraguai seja recompensado política e economicamente, no seu retorno em abril do ano que vem poderemos ter mais um imbróglio jurídico no Mercosul.

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