Brasília, 18 de fevereiro de 2019 - 12h40

Comércio Exterior

14 de outubro de 2014
por: InfoRel
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Brasília – Em 2012, Brasil e Uruguai criaram um Grupo de Alto Nível para consolidar um plano de ação para o desenvolvimento sustentável e a integração produtiva, ciência, tecnologia e inovação; comunicação e informação; integração das infraestruturas de transportes; livre circulação de bens e serviço; e livre trânsito de pessoas. Essa aliança foi classificada pelos dois governos como “paradigmática”.



Os acordos permitiram reduzir significativamente as travas comerciais e desde então não são vistos caminhões com exportações, detidos na fronteira. Para tanto, vários acordos firmados no âmbito da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), foram retomados.



Apesar de o Brasil ser visto como um país protetor de sua indústria, os uruguaios estão satisfeitos com os resultados obtidos até o momento. Os setores naval, de automóveis e peças, estão entre os que mais avançaram.



A livre circulação também foi consolidada e hoje, um uruguaio pode vir para o Brasil e viver no país sem problemas. Antes, era preciso esperar ao menos dois anos até isso ser possível. O mesmo vale, na verdade, para todos os cidadãos dos países do Mercosul.



Para o Uruguai, a linha de alta tensão que permitirá ao país comprar energia do Brasil e que está pronta, também fortalecerá ainda mais as relações entre os dois países.



Em relação aos transportes, a vias ferroviárias que ligam o Brasil ao Uruguai, na cidade de Rivera, foram recuperadas.



Por outro lado, a União dos Exportadores do Uruguai defende que o país firme o máximo possível de acordos de livre comércio, colocando o Mercosul em segundo plano por conta de suas amarras.



Aliás, em janeiro de 2015, o Brasil reassume a presidência pro tempore do Mercosul. No Uruguai, a expectativa fica por conta do rumo que o Brasil dará ao bloco uma vez que os candidatos finalistas têm concepções completamente distintas em relação ao bloco regional.



Análise da Notícia



Marcelo Rech



No dia 26, o Brasil definirá o (a) eleito (a) para a Presidência da República pelos próximos quatro anos. Neste mesmo dia, os uruguaios irão às urnas para votar no primeiro turno das eleições presidenciais.



A Frente Ampla do presidente José Pepe Mújica tem como candidato o ex-presidente Tabaré Vázquez e torce pela eleição da petista Dilma Rousseff, enquanto que os seus adversários preferem Aécio Neves, principalmente por suas críticas à estagnação do Mercosul.



De acordo com analistas políticos locais, tanto Dilma como Aécio são bons para o Uruguai, pois a mesma Frente Ampla cobra mudanças radicais no Mercosul, principalmente após o esgarçamento das relações com a vizinha Argentina.



Os uruguaios querem firmar acordos fora do Mercosul, algo que Aécio Neves também defende, e que o PT de Dilma não aceita, ainda que isso comprometa o desenvolvimento industrial e tecnológico brasileiro.



No entanto, diplomatas uruguaios acreditam que se Aécio Neves ganhar, o Brasil irá procurar alternativas ao Mercosul e haverá filas de países querendo firmar acordos de livre comércio com Brasília.



Isso forçará a que países como o Uruguai encontrem uma forma de abrir espaços. Por exemplo, a União Europeia firmaria um acordo com o Brasil se isso for possível, mas não teria no Uruguai uma prioridade. O Uruguai poderia, então, ser levado pela mão, pelo Brasil, para acessar um acordo com a UE.



A avaliação no Uruguai é que independentemente do resultado das eleições no Brasil, o país irá rever sua política externa especialmente em relação às questões comerciais. E isso pode ser muito positivo para a região.