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Política
02/09/2016
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02/09/2016

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Uruguai considera injusta destituição de Dilma Rousseff

Brasília – O governo uruguaio do presidente Tabaré Vázquez, da coalizão de esquerda Frente Ampla, emitiu um comunicado na noite desta quinta-feira, 1º, em que considera “injusta” a destituição da ex-presidente Dilma Rousseff, apesar da legalidade do processo, defendida pelos denunciantes do crime de responsabilidade.

Em um tom mais moderado que o expressado anteriormente pelos governos da Bolívia, Cuba, Equador e Venezuela, o comunicado do ministério das Relações Exteriores exorta a que “no marco da institucionalidade democrática, o povo brasileiro alcance seus objetivos de estabilidade e desenvolvimento”.

O Uruguai não pretende convocar seu embaixador em Brasília como fizeram os países do eixo bolivariano e nem o Itamaraty deve responder à nota. O Brasil trabalha para conquistar o apoio uruguaio em relação ao isolamento político e diplomático da Venezuela. Não há interesse numa crise com o vizinho.

No comunicado de sua chancelaria, o Uruguai reconhece que tem acompanhado com atenção o processo político e judicial no Brasil, “que culminaram com a decisão do Senado de destituir à presidente eleita legitimamente pelo povo brasileiro”.

Além disso, destaca o papel de Dilma Rousseff no fortalecimento das relações bilaterais e no aprofundamento da aliança estratégica. Por fim, põe em dúvida a decisão adotada no dia 31 de agosto. “Muito além da legalidade invocada, o governo uruguaio considera uma profunda injustiça esta destituição”.

Por outro lado, a moderação adotada pelo governo não é a mesma percebida no meio político uruguaio. O ex-senador Oscar López Goldaracena, por exemplo, propôs que o país retire todos os seus diplomatas do Brasil em resposta ao que considera um “golpe ao Direito”. Ele é um dos membros da Frente Ampla que pressiona o governo de Vázquez para que adote uma postura mais dura com Brasília.

Na avaliação do político, “trata-se de condenar um ato antijurídico e arbitrário que carece de legitimidade substancial e que violenta a democracia. Que sigam as formas não quer dizer que se siga o Direito. Se golpeou o Direito. Há um golpe ao Direito”, sustentou.

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