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15/07/2015
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15/07/2015

Conflito Interno

Uruguai é chamado a participar do Processo de Paz na Colômbia

Brasília – O ministro de Relações Exteriores do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, expressou nesta segunda-feira, 13, o orgulho sentido pelos uruguaios com a responsabilidade que será assumida nesta quarta-feira, 15, pelo ex-ministro da Defesa, José Bayardi, que presidirá a Subcomissão Técnica da UNASUL para acompanhar as negociações sobre o cessar fogo bilateral e o desescalamento do conflito entre o governo e as Farc, na Colômbia.

 

A indicação de Bayardi partiu do governo colombiano e contou com o aval da guerrilha. Ele tem 59 anos e é médico. Bayardi tem uma trajetória como dirigente social e político dentro da Frente Ampla que governa o Uruguai pela terceira vez consecutiva. Ele foi deputado na década de 1990, vice-ministro e ministro da Defesa no primeiro governo de Tabaré Vásquez.

O Uruguai iniciou uma ofensiva em relação ao Processo de Paz na Colômbia, ainda no governo do presidente José Pepe Mújica que se reuniu em Havana com interlocutores do governo colombiano e das Farc. Antes do fim do seu mandato, ele já havia colocado a diplomacia uruguaia à disposição das partes.

A decisão de receber presos de Guantánamo e refugiados sírios também pesou na decisão do governo colombiano e no apoio da guerrilha.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

O Uruguai é um dos menores países da região, mas durante as gestões de Tabaré Vásquez e Pepe Mújica, consolidou-se como protagonista. Especialmente Mújica que não economizou nos adjetivos ao defender mudanças objetivas nas relações entre os vizinhos. Além disso, colocou o país como mediador em várias situações. Enviou tropas para a Minustah, no Haiti e em outras partes do mundo, recebeu ex-prisioneiros de Guantánamo, acolheu refugiados do conflito sírio, elegeu seu ex-chanceler para o cargo de Secretário-Geral da OEA, Luís Almagro, e agora é chamado pela Colômbia para ocupar um posto de observação do respeito ao combinado com a guerrilha.

Trata-se de um protagonismo de fazer inveja. O Brasil tentou participar do processo de paz naquele país, mas foi ignorado pelas partes. Tenta agora, sentar-se à mesa de negociações com o ELN, a segunda maior guerrilha colombiana, se e quando isso acontecer, mas ainda há muitas desconfianças em relação ao Brasil.

Por um lado, pesa a identidade ideológica por meio do Foro de São Paulo cujo ideólogo foi Marco Aurélio Garcia, um dos principais conselheiros da presidente. Essa percepção é forte na Colômbia, especialmente dentro do governo e junto àqueles que lidam com o conflito interno.

Por outro, o Brasil vendeu à Colômbia o Super Tucano, um avião de ataque leve que permitiu deflagrar alguns dos principais golpes contra a guerrilha ainda durante o governo de Álvaro Uribe (quando Juan Manuel Santos era o ministro da Defesa). E isso, a guerrilha debita na conta do ex-presidente Lula que, segundo eles, poderia ter impedido o negócio.

Agora, a diplomacia uruguaia avança também para outras agendas como a comercial questionando as normas engessadas do Mercosul e buscando alternativas como a Aliança do Pacífico onde é país-observador e o acordo com a União Europeia. 

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