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Uruguai ratifica Tratado e UNASUL entra em vigor

30 de novembro de 2010
por: InfoRel

O Senado uruguaio aprovou na tarde desta terça-feira, o Tratado Constitutivo que cria a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL).



Com a decisão, o organismo ganha vida jurídica e passa a funcionar formalmente.



Dos 12 países membros da UNASUL, Brasil, Colômbia e Paraguai, ainda não ratificaram o Tratado.



O Tratado havia sido aprovado na Câmara dos Deputados na última quinta-feira.



O presidente José Mújica queria que a aprovação ocorresse antes da Cúpula da UNASUL realizada em Georgetown, na sexta, 26, mas a oposição não aceitou as pressões e postergou a decisão.



A aprovação nesta terça-feira, contou com 20 de 26 votos possíveis, com a totalidade da Frente Ampla, partido do governo, parte do Partido Nacional e a obstrução do Partido Colorado.



O Tratado será agora promulgado pelo Executivo e depositado na próxima reunião dos presidentes do bloco.



Secretaria-Geral



Os presidentes da UNASUL decidiram reunirem-se extraordinariamente durante a Cúpula Ibero-americana que se realizará em Mar del Plata, Argentina, nos dias 3 e 4 de dezembro.



Na agenda, a escolha do Secretário-Geral do bloco.



O cargo pertencia ao ex-presidente argentino Nestor Kirchner, falecido em 27 de outubro.



Rafael Correa, presidente do Equador, lembrou que o cargo foi criado para ser ocupado por ex-Chefe de Estado.



Os nomes que circulam entre as respectivas chancelarias são os do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e dos ex-presidentes do Uruguai, Tabaré Vázquez, e do Chile, Michele Bachelet, que acaba de assumir um cargo nas Nações Unidas, voltado às políticas para as mulheres.



Análise da Notícia



Marcelo Rech



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que não tem interesse no cargo de Secretário-Geral da UNASUL. Ele seria o nome de consenso não apenas no âmbito do bloco.



Lula inspira confiança da comunidade internacional e sua presença na coordenação política da UNASUL alavancaria o organismo e lhe daria musculatura suficiente para impor-se extra-regionalmente.



O brasileiro quer algo mais depois de deixar a presidência da República que ocupou por oito anos.



Michele Bachelet deixou o governo chileno sem fazer o sucessor apesar dos altos índices de popularidade.



Foi chamada à ONU para tocar um projeto que tem as mulheres como foco. Trata-se de um recurso humano que não poderia ser desperdiçado.



Contra Bachelet pesa ainda o fato de o Chile deter o cargo de Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), com José Miguel Insulza.



Tabaré Vázquez, do Uruguai, é outro que não se permitiu seduzir pela popularidade. Cumpriu seu mandato de presidente e fez o sucessor.



Mas, a Argentina veta o seu nome. Ele foi o responsável por Nestor Kirchner não ter assumido a UNASUL mais cedo.



Ressentida, Cristina Fernández não esquece e lhe nega apoio.



Dos recentes, resta Álvaro Uribe, da Colômbia.



Ninguém ousa defender o seu nome, nem mesmo Juan Manuel Santos, o sucessor.



Especulou-se ainda o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que no seu momento, chegou a ser cogitado para o posto de Secretário-Geral da ONU.



Mas FHC é adversário de Lula e ninguém ousa cometer uma grosseria com o companheiro.



Sem mais, surgiu então Marco Aurélio Garcia, o assessor internacional de Lula. Garcia é um intelectual de esquerda muito querido na América Latina.



É um dos ideólogos do Foro de São Paulo, costurado com Fidel Castro no início dos anos 90.



Seu nome foi colocado pelos amigos uruguaios da Frente Ampla.



De forma discreta, Garcia conseguiu levar a indicação à presidente Dilma Rousseff sem parecer pressioná-la. No final das contas, se fosse descartado da próxima administração, não ficaria desempregado.



Com o futuro resolvido no governo da petista, agradeceu e abriu mão de um cargo que obviamente, ainda teria de ser negociado.



Veio então, o nome de Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores de Itamar Franco e Lula, que acaba de ser eleito o oitavo mais influente pensador global.



Ocorre que Amorim também encontra oposição. Hugo Chávez e Rafael Correa, por razões distintas, não o apóiam.



Nessa toada, tudo leva a crer que o próximo Secretário-Geral será alguém de menos envergadura política e possivelmente, ligado à presidente argentina.


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