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Política Regional

Venezuela de Hugo Chávez enfrenta resistências na América Latina

O protagonismo da Venezuela na América Latina e do seu presidente, Hugo Chávez, começa a apresentar sérias evidência de fragilidade.

A insistência de Chávez em obter um assento não-permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, criou um impasse com a Guatemala, país apoiado pelos Estados Unidos.

Para o Brasil, a melhor saída seria o surgimento de um terceiro país, indicado pela região e aprovado por consenso, o que parece ser algo cada vez mais difícil. Depois de 41 rodadas de votação, com 40 vitórias da Guatemala, a Venezuela que ensaiou deixar a disputa em favor da Bolívia, voltou atrás.

Nesta quarta-feira, os chanceleres da Venezuela e da Guatemala, Nicolás Maduro e Gert Rosenthal, tentaram encontrar uma opção para a crise que paralisa o Conselho de Segurança. Como não chegaram a um acordo, os dois países decidiram manter a briga.

A Guatemala queria que a Venezuela abandonasse a disputa por ter perdido 40 das 41 votações. Além do Chile e do Uruguai, também surgiu nesta sexta-feira, a possibilidade da República Dominicana entrar na disputa.

De Washington, o presidente Leonal Fernandez afirmou ter sido sondado pela chancelaria venezuelana. Apesar das boas relações com os Estados Unidos, Fernandez é um intelectual que mantém uma convivência harmoniosa com Hugo Chávez.

Na próxima terça-feira, a Assembléia-Geral da ONU retoma as votações e é cada vez mais nítido o racha entre os países da região. O Brasil, de acordo com fontes da chancelaria, vai manter o apoio à Venezuela, mas já vê a questão como algo insustentável.

O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva já começa a imaginar as mudanças que terá de promover na política externa caso seja reeleito.

A aproximação com Hugo Chávez tem criado muitos problemas para o Brasil e há muitas desconfianças em relação ao presidente venezuelano, que estaria por trás das medidas adotadas pelo presidente boliviano Evo Morales, em relação à Petrobras.

Apesar do acordo Petrobras – PDVSA, para a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, funcionários do governo brasileiro acreditam que o líder venezuelano quer mesmo é tirar a estatal brasileira do circuito e impor a PDVSA em toda a região.

Também é muito negativa a imagem de Chávez junto ao governo do Chile. Segundo a ministra da Defesa, Vivianne Blanlot, “ideologicamente já não há espaço na América latina para se voltar a esse tipo de discurso. Independentemente da força e convicção de Hugo Chávez, não me parece que sua linha de trabalho político seja a que vai imperar na região”.

No Paraguai, o descontentamento já chegou aos debates no Congresso. Vários parlamentares questionam as razões da Venezuela comprar tantos armamentos de última geração, como aviões de caça, helicópteros e fuzis russos, além de firmar um acordo militar com a Bolívia que vai permitir a instalação de bases na região fronteiriça com o Paraguai.

Da mesma forma, as relações da Venezuela com a Colômbia e o Peru, são delicadas. No Equador, o candidato apoiado por Chávez vai disputar o segundo turno, mas tem procurado ficar longe do presidente venezuelano. Não quer o mesmo destino de Olanta Humala, que liderada no Peru e acabou perdendo.

No Brasil, Lula também mantém distância de Chávez, principalmente na reta final da campanha. Num eventual segundo mandato, ele pretende mudar a estrutura da política exterior e voltar a priorizar as relações com os países desenvolvidos, sobretudo Estados Unidos e União Européia.

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