Política Externa
09/01/2012
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09/01/2012

Venezuela e Peru miram a integração energética

Venezuela e Peru miram a integração energética

Brasília – Os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Ollanta Humala, do Peru, se reuniram neste sábado, 7, e assinaram dez acordos de cooperação para fortalecer a integração binacional com prioridade para os temas energéticos.

Os dois estiveram em visita à Central Hidrelétrica José Antonio Paez, em Bolívar e ao Bloco Carabobo, na Faixa Petrolífera do Orinoco.

Chávez e Humala discutiram ainda o aprofundamento da integração regional por meio da União de Nações Sul-Americanas. A UNASUR confirmará até março a designação do venezuelano Ali Rodríguez Araque como Secretário-Geral do bloco em substituição à colombiana María Emma Mejía.

De acordo com Chávez, “o Peru ocupa um espaço verdadeiramente estratégico do ponto de vista político. Uma ampla costa no Pacífico e uma extensão geográfica muito próxima à nossa”.

Os dois países assinaram acordos nas áreas de hidrocarbonetos, social, proteção, comércio, energia, educação e integração. No âmbito social, Venezuela e Peru se comprometeram com a erradicação da pobreza, desnutrição e exclusão, que passam pela melhoria dos serviços de saúde e educação.

Na área de energia, os dois países decidiram firmar um acordo interinstitucional para estabelecer uma ampla e sustentável cooperação em hidrocarbonetos e petroquímica.

Desta forma, prevêem a exploração, transporte, armazenamento, refino e comercialização de hidrocarbonetos em conjunto.

Também serão promovidos o intercâmbio de conhecimento em matéria de desastres naturais, bolsas de estudo e de talentos humanos em várias áreas do conhecimento. Para isso, serão facilitados e regulados os fluxos migratórios entre os dois países.

Para fomentar a produção de alimentos, serão comercializados entre si tratores e implementos agrícolas. E haverá ainda a formalização de preferências tarifárias recíprocas às importações de produtos originários de ambos países.

Petróleo

O presidente Hugo Chávez anunciou que investirá US$ 5 bilhões na Faixa Petrolífera do Orinoco para elevar a produção de um milhão de barris diários para 500 mil.

A estatal peruana PetroPeru se associará como investidora na Faixa do Orinoco, considerada a maior reserva de hidrocarbonetos líquidos do mundo. Compreende uma área de 55,3 mil km² e uma área de exploração de 11,5 mil km².

Nesta faixa, o governo da Venezuela constituiu empresas mistas com vários países para a produção de petróleo, mas sem perder a maioria acionária e a soberania sobre suas reservas de petróleo.

Defesa

Hugo Chávez aproveitou o encontro com o presidente peruano para anunciar o general Rangel Silva como seu novo ministro da Defesa. Rangel deixa a chefia do Comando Estratégico Operacional para assumir o cargo.

Ele substitui o general Carlos Mata Figueroa que será o candidato de Chávez ao governo de Nova Esparta.

Na oportunidade, também foi anunciado o general Pérez Escalona como novo Comandante da Aviação Militar da Venezuela.

Análise da Notícia

Durante o processo eleitoral no Peru, Ollanta Humala, ex-militar golpista, foi orientado a manter-se distante de Hugo Chávez. Era preciso passar uma outra imagem à sociedade peruana.

Ele decidiu que era melhor colar sua imagem à de Lula da Silva, do Brasil. Lula inclusive conseguiu emplacar muitos de seus assessores eleitorais à campanha de Humala.

Eleito, ele veio à Brasília para dizer à presidente Dilma Rousseff que o Peru pretendia reforçar a aliança estratégica com o Brasil.

Com menos de seis meses de poder, já trocou dez ministros (Dilma demitiu sete em 12) e ensaia uma aproximação igualmente estratégica com Caracas.

E o faz por meio de uma aliança energética, colocando as estatais PDVESA e PetroPeru do mesmo lado, quando antes seguiam por caminhos opostos.

Energia é um tema caríssimo não apenas para a região, mas para todo o mundo.

O Peru tem uma saída para o Pacífico que é cobiçada por muitos, inclusive pelo Brasil.

Ainda é cedo para saber se a aliança costurada por Humala e Chávez poderá afetar a relação entre Brasil e Venezuela.

Chávez não se sente à vontade com Dilma. Lula fazia vistas grossas à sua retórica.

Seguramente ele procura por um par mais simpático e menos exigente.

No entanto, há uma equação a ser resolvida: enquanto a PDVESA mudou sua visão comercial por uma estratégia de poder vinculada ao governo, com objetivos geopolíticos claros, a PetroPeru mostra certa tendência a seguir os caminhos adotados por EcoPetrol, do Equador, e Petrobras, do Brasil.

Em 2011, a estatal peruana cresceu 6% com um faturamento de US$ 117 milhões.

Humala entende que a PDVESA poderá ser importante para que o Peru aumente sua produção de petróleo.

Em março, ele recebe Dilma em Lima e talvez ela possa lhe perguntar: se o Brasil é prioridade para a sua política externa, porque a Petrobras não participa desse esforço?

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