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Política

Venezuelanos no Brasil pedem suspensão de exportação de gás lacrimogêneo para aquele país

Brasília – A comunidade venezuelana no Brasil deu início à uma ofensiva que pretende impedir que o Brasil siga exportando cargas de gás lacrimogêneo para aquele país. Neste sentido, cartas foram direcionadas à diretoria da empresa Condor, com sede no Rio de Janeiro. Na segunda-feira, 19, deveriam seguir para a Venezuela cerva de 80 mil cargas lacrimogêneas.

“Entendemos a natureza do negócio da Condor em termos monetários e o fato do desenvolvimento de clientes no segmento, e sabemos também que vocês não podem se responsabilizar pelo uso indevido dos seus produtos”, diz um trecho da carta.

“Porém, nos permitimos informar que temos certeza que pessoas inocentes serão assassinadas com seus produtos, assim como já foram assassinadas mais de 70 pessoas por manifestar pela liberdade da Venezuela contra um regime ligado ao narcotráfico internacional ditatorial e repressor. Mais de 20 países da OEA já qualificam a situação da Venezuela muito delicada incluindo o Brasil”, apelam os venezuelanos residentes no Brasil.

Tragédia genocida

Na avaliação dessa comunidade, a empresa deve lançar mão de algum código de ética para evitar fazer negócios com este tipo de regime. “Por favor reflitam sobre o assunto. Lembrem que na Venezuela a forma como são usadas as bombas lacrimogêneas têm sido letais”, explicam.

Por exemplo o caso reconhecido pela Procuradora-Geral da Venezuela, Luisa Ortega Diaz, sobre o homicídio negligente por disparo de carga lacrimogênea diretamente contra os manifestantes sem respeitar distância e ângulo de inclinação recomendado ao disparar. É o caso do jovem Juan Pablo Pernalete, de 20 anos, quem faleceu como consequência de impacto de carga lacrimogênea disparada pela Guarda Nacional Bolivariana em 26 de abril em Caracas; assim como mais recentemente Neomar Lander Armas de 17 anos no 15 de junho uma carga lacrimogênea impactou no peito e explodiu.

Há ainda denúncias de uso dessas bombas pela Guarda Nacional Bolivariana contra edifícios consagrados à educação infantil e hospitais, durante protestos em Caracas, afetando crianças, pessoas idosas e doentes, convertendo-se em delitos de caráter militar.

O grupo pede à empresa e ao governo brasileiro, condições para fornecer a todas as informações e estatísticas sobre violações reiteradas aos direitos humanos na Venezuela para evitar o envio das bombas. “Temos vídeos da polícia matando com os gases que são disparados diretamente no corpo de manifestantes que só querem uma Venezuela libre e sem repressão além de lutar por comida e medicamentos no dia a dia”, concluem.

Venezuela condiciona retornar à OEA se Almagro renúncia

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro condicionou nesta quinta-feira, 22, o retorno do país à Organização dos Estados Americanos (OEA) à renúncia do Secretário-Geral da entidade, Luis Almagro. “Eu pensaria sobre o regresso, que Luis Almagro renuncie e Venezuela poderia pensar em seu retorno à OEA para um plano de reestruturação, reorganização, que respeite a soberania dos povos”, afirmou.

No final de abril, o governo venezuelano entregou uma carta à OEA formalizando a sua saída da organização. O gesto foi em represália à decisão dos chanceleres de se reunirem para deliberar sobre a crise naquele país. Na 47ª Assembleia-Geral da OEA, o conjunto dos países não chegou a nenhum consenso sobre o que fazer e Maduro vai ganhando tempo.

Para o regime venezuelano, Almagro é responsável por uma “campanha desproporcionada” internacional contra o país e que contaria com o apoio dos Estados Unidos.

EUA

Apesar de considerar que os Estados Unidos estão por trás de todas as tentativas de derrubá-lo, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta quinta-feira, em Caracas, que está disposto “a um novo começo” nas relações diplomáticas com Washington.

Segundo ele, “se os Estados Unidos querem diálogo, estamos dispostos ao diálogo. Se desejam um novo começo, estou preparado”, garantiu. Ele também não descartou ver-se com Donald Trump “algum dia”.

Nos últimos dias, as tensões entre Caracas e Washington têm crescido. Trump também subiu o tom nos ataques contra o regime bolivariano e cobrou a libertação dos presos políticos.

Por outro lado, mesmo falando em diálogo, Maduro acredita que os Estados Unidos costuram com a OEA um plano de intervenção na Venezuela. 

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