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Vice-presidente da Colômbia renuncia à embaixada n

Vice-presidente da Colômbia renuncia à embaixada no Brasil

Brasília – O presidente colombiano Juan Manuel Santos aceitou nesta terça-feira, 25, a renúncia do atual vice-presidente Angelino Garzón para chefiar a embaixada do país no Brasil. Garzón alegou razões pessoais e familiares para declinar da indicação.

“Tomei a decisão de não aceitar o cargo de Embaixador da Colômbia no Brasil a fim de deixá-lo, como sempre fiz, com total liberdade de nomear outra pessoa que no atual momento possa ocupar este cargo”, explicou Garzón ao presidente Santos.

Ele permanece como vice-presidente até 7 de agosto. “Continuarei trabalhando pelo fortalecimento das relações de amizade e cooperação entre o Brasil e a Colômbia porque as mesmas beneficiam de maneira recíproca a ambos os países”, afirmou.

Nesta semana, Juan Manuel Santos escolheu Germán Vargas Lleras para compor sua chapa à reeleição nas eleições de 25 de maio. A posse do presidente eleito será em 8 de agosto.

Esta não foi a primeira vez que um indicado para comandar a embaixada colombiana em Brasília renúncia à indicação. Em novembro de 2013, a embaixadora Alícia Arango então chefe da missão diplomática colombiana na Suíça, já nomeada para o Brasil, decidiu abandonar o posto para acompanhar a campanha de Óscar Iván Zuluaga à presidência da República.

A então embaixadora da Colômbia no Brasil, Maria Elvira Pombo foi transferida para o Peru e a embaixada colombiana está sem chefe de missão desde 1º de outubro do ano passado. De acordo com a chanceler colombiana María Ángela Holguín, Alícia Arango será a embaixadora em Brasília.

Especialistas colombianos acreditam que os gestos de descortesias do país terão um preço por parte do Brasil.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

O desinteresse dos colombianos em vir para o Brasil onde está, segundo muitos analistas daquele país, a diplomacia mais profissional da América Latina não é algo isolado.

Embora ninguém o admita publicamente, o Brasil está perdendo muitos dos espaços conquistados nos últimos 20 anos. Há muitas reclamações sobre a postura do país em relação à região e aos principais temas da agenda internacional.

O Brasil já não é o mesmo e o seu engajamento e liderança praticamente inexistem.
A postura do Brasil em relação à crise na Venezuela de silêncio quase ensurdecedor é vergonhosa.

O Mercosul que não anda e a UNASUL que vai completar um ano sem um Secretário-Geral, são sintomas de uma diplomacia tolhida.

O Brasil, gostem ou não, queiram ou não, aceitem ou não, é o gigante regional, aquele país que os demais esperam tomar uma decisão para seguir: se o Brasil decidiu assim é porque deve ser o certo. Essa sempre foi a tônica nas últimas duas décadas.

Não tem sido mais. O caso colombiano é emblemático. Prestes a completar dois anos, o processo de paz levado a cabo em Havana ignora o papel do Brasil, país que durante muitos anos se esquivou de condenar as atrocidades terroristas das Farc justamente para manter a possibilidade de mediar uma solução para o conflito.

Foi escanteado tanto pelo governo como pela guerrilha.

O Peru fechou a compra de aviões militares com a Coreia do Sul em grande medida por conta da arrogância da Embraer e do Itamaraty, segundo fontes peruanas.

A Bolívia que tomou uma refinaria brasileira com o seu Exército, ignorou tratados e tradições e submeteu um senador opositor a mais de um ano de confinamento numa sala de 20 m2, obrigando um diplomata brasileiro a uma aventura para tirá-lo de lá. Tudo por capricho do presidente boliviano, o que custou o cargo do então chanceler Antonio Patriota.

Estes são apenas alguns exemplos de como a nossa imagem está arranhada na região. Quando alguém prefere ignorar um posto no Brasil é porque a coisa está mesmo ruim.

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