Opinião

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VII ENEE-Palavras do Ministro Jorge Armando Félix

VII ENEE-Palavras do Ministro Jorge Armando Félix

General-de-Exército Jorge Armando Felix, Ministro Chefe do GSI da Presidência da República

Que as minhas primeiras palavras sejam de boas vindas a todos os presentes que, hoje, em Brasília, responderam ao convite para participar do VII Encontro Nacional de Estudos Estratégicos, com o tema: “Em Busca dos Futuros”.

Permitam-me repetir as duas palavras chave: “Busca” e “Futuros”.

Como ponto de partida a noção de “busca”, ou seja, o porvir é algo que, em grande parte, é construído pelo homem. Não somos objetos indefesos do futuro, mas sim os seus arquitetos.

Aqui estamos reunidos não apenas pelo apetite de conhecer o que nos aguarda, mas, sobretudo, para discutir como podemos dar direção e sentido aos tempos a serem herdados pelos nossos filhos e netos.

Um segundo aspecto está contido na noção de “futuros” no plural. Não mais cabe imaginar o tempo como uma estrada reta que se inicia com o Big Bang cósmico e termina com alguma forma de Apocalipse, Armagedon, fim dos tempos, ou mesmo paraíso terreno. As trilhas do futuro são muitas e variadas…

O homem, ao longo do tempo, sempre tentou visualizar o futuro por meio da predição dos adivinhos, pelas profecias dos feiticeiros, sacerdotes e profetas, pela especulação, pelas projeções e modelos econométricos e, em nossos dias, com os especialistas em cenários, mas sempre com a mesma conclusão: o futuro é múltiplo e incerto.

Obviamente, como bem observou o Padre Antônio Vieira, no tão distante Século XVII, “nem todos os futuros são para desejar, porque há muitos futuros para temer”.

Na programação do VII Encontro foram colocados, em proporção equivalente, temas de “desejar” e temas de “temer”. Há, pois, na escolha individual das conferências e mesas paralelas alimento espiritual e intelectual para os mais diversos graus de pessimistas, otimistas e mesmo realistas.

O Gabinete de Segurança Institucional, como organizador do evento, não buscou impor uma única temática. O objetivo foi o de que todos possam sair do Encontro mais ricos em futuros – individuais, nacionais e até mesmo globais.

Como seria de se esperar, não foi possível colocar na nossa matriz de palestras e mesas paralelas todos os aspectos relevantes, todas as possíveis variáveis que darão nascimento ao futuro.

Quatro blocos foram escolhidos como prioritários: “Segurança e Defesa”; “Relações Internacionais; “Ciência e Tecnologia” e “Temas Sociais”.

Seria fácil imaginar outras categorias originadas do mundo da ciência e da racionalidade para tornar mais completo o nosso telescópio em direção aos futuros.

Contudo, o futuro não é apenas filho da ciência. É produto da arte, da política e até mesmo da fé. No dizer de Fernando Pessoa, “é preciso um realista para descobrir a realidade; é preciso um romântico para criá-la”.

Talvez na preparação de um vindouro encontro tenhamos que trazer poetas, líderes religiosos, visionários políticos e, talvez, até mesmo algum profeta.

Como bem sabem todos, o amanhã sempre foi algo perigoso, inclusive, por ser tão instável… o porvir, como tudo de humano, sofre com a mudança na moda…

Tome-se, a título ilustrativo, o caminho percorrido pelos futuros do Brasil.

De início, nos Séculos XVI a XVII, como analisado pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda, o Novo Mundo português era entendido como o Éden.

A descoberta e colonização européia do Brasil estavam marcadas por uma visão paradisíaca. Não é, portanto, possível imaginar que o Paraíso Terrestre necessite de futuro… Adão e Eva não precisavam de previdência social…

No final do Século XVIII, em terrível reviravolta de moda intelectual, descobrimos que éramos tão somente parte do atraso dos trópicos.

A Europa era o centro do mundo e a América do Sul uma periferia perdida. No caso brasileiro, em certos momentos, nos são negadas inclusive as esperanças de futuro.

No final do Século XIX, por exemplo, relatórios ministeriais destacam que não foi possível haver progresso industrial significativo no ano que havia findado, em vista da má qualidade da nossa população…

Os ventos da moda do futuro trazem com Gilberto Freire novidades. O cadinho racial passa a ser riqueza…algo que nos impulsionaria para um futuro melhor.

Também no início do Século XX, quase como reação à maldição que nos impunha a visão européia do mundo, passamos a acreditar que tínhamos direito a um cargo de grande potência no concerto das nações.

Esse direito era tão vivo que, ao ser negado, chegou a motivar a nossa saída da Liga das Nações.

Nos últimos anos oscilamos entre a visão de um futuro de grandeza e a desesperança… certas autoridades chegaram a advogar que deveríamos buscar ser apenas uma Bélgica de maior porte…

Em síntese, a história do futuro brasileiro passa por muitas mudanças de perspectiva. Atualmente, parece que caminhamos bem, para uma “idade de ouro” no futuro – momento de glória ainda por vir a acontecer.

De certo modo, é a história bíblica ao contrário, com o paraíso agora no futuro. Portanto, por ironia histórica tivemos o paraíso no inicio da colonização e pretendemos voltar a tê-lo quando formos uma grande potência…

Além da cambiante moda destes futuros, observam-se alguns acessórios “fashion” a serem considerados. Existe o acaso na construção do futuro? Existe o Destino ou o que os portugueses poeticamente classificam de fado? Existe, como na história norte-americana, um Destino Manifesto?

Existe ainda uma “idade de ouro” aguardando no futuro do País? É possível desenhar o “futuro brasileiro” sem incluir o destino dos países vizinhos?

Essas indagações não foram propositalmente ignoradas. Elas estão como pano de fundo de qualquer debate sobre o futuro. Estarão criando, de certa forma, ruído ou estática que, por vezes, dificultarão os consensos mais óbvios.

Por isso, não esperamos nem queremos unanimidades neste encontro, apenas a boa busca dos horizontes diante de nós. Em outros termos, os “estudos estratégicos” deste VII Encontro se vocacionam para “Buscar Futuros”.

Seja como for, o número recorde de inscritos – foram mais de 1500 – mostra a esperança que este país ainda tem no seu futuro…tal apetite por conhecê-lo, só pode ser visto como algo saudável e promissor.

Com toda a certeza, ao final dos trabalhos, teremos, como consta em nossos objetivos, a consolidação do trabalho dos encontros anteriores no que respeita: diálogo, troca e produção de conhecimentos entre analistas, indicações para futuros programas de pós- graduação, abertura para intensificação do diálogo entre analistas e pesquisadores de um lado e, políticos e técnicos responsáveis por desenhar e implementar políticas públicas de outro, e tudo o mais que se pode esperar de uma reunião entre saberes e políticas.

Dessa forma o VII Encontro pode contribuir também para ajudar a consolidar uma cultura brasileira voltada para pensar o país a longo prazo, com base em pensamento e planejamento estratégicos, que conciliem políticas de promoção de desenvolvimento econômico, científico-tecnológico, eqüidade social, segurança, preservação de recursos naturais e que busquem uma maior presença do Brasil no cenário mundial.

E já que temos a presença de tantos representantes da área universitária, vou encerrar citando um conhecido educador, Piaget, que dizia que a inteligência humana tem duas capacidades, a de entender e a de inventar.

Um País que apenas se preocupa em entender, não passa de um mercado. Só pelo caminho da invenção chegaremos ao futuro construindo um País justo e soberano!

Para todos, os votos de um bom trabalho e de muita invenção nos próximos dias, ao construírem, juntos, novos futuros. Obrigado!

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