Brasília, 15 de novembro de 2018 - 13h50

Yankees, Welcome!

18 de maro de 2011
por: InfoRel
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Joanisval Brito Gonçalves



 



É grande a expectativa em torno da visita ao Brasil do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.



 



Fala-se no aumento da cooperação nas áreas econômica, energética, de segurança e, também, em matéria de meio ambiente, educação e cultura.



 



Com a agenda a ser divulgada apenas no último momento, há especulações das mais diversas, até mesmo sobre o fim da exigência de vistos de turismo e negócios para cidadãos dos dois países.



 



Entretanto, mais que todos esses aspectos práticos da viagem de Obama, é importante que se perceba o caráter simbólico dessa visita.



 



A decisão do Presidente dos Estados Unidos de, ao visitar a América do Sul, eleger Brasil e Chile como destino, envolve mais que grandes acordos econômicos ou energéticos.



 



Especificamente, no caso Brasil, é sinal da importância crescente do País não só em termos regionais, mas, sobretudo, globais.



 



Também evidencia o interesse de aproximação entre duas grandes economias, países com valores coincidentes e parceiros que têm muito a ganhar retomando laços tradicionais.



 



O Brasil que Obama encontrará é muito diferente daquele com que seus antecessores se depararam quando aqui estiveram.



 



Já somos a sétima economia do planeta, nossa democracia está consolidada, uma classe média se estrutura e ganha força, assim como melhoram as condições gerais de vida da população, aumentando sua capacidade de consumo.



 



O País também se mostra mais aberto ao mercado externo e, portanto, atraente parceiro comercial: de fato, o comércio de mão dupla entre Brasil e Estados Unidos mais que dobrou na última década, chegando a US$ 80 bilhões em 2010, e somente no referido ano, as exportações estadunidenses para o Brasil cresceram 35% em relação a 2009.



 



Outro dado importante: nossas exportações para lá incluem commodities, mas também bens de valor agregado, como aviões e peças. Empresas brasileiras estão presentes no mercado estadunidense.



 



E o Brasil já é o décimo parceiro comercial da Superpotência, com infinitas possibilidades de parceria e cooperação nos mais distintos setores que não podem ser descartadas.



 



Certamente, Obama tratará desses assuntos em sua vinda ao Brasil.



 



Não obstante, repita-se, se nada disso fosse tratado, a visita de Barack Obama ao Brasil já seria de importância capital por seu simbolismo.



 



O evento demonstra o interesse dos estadunidenses em tratar o Brasil em nova relação, como parceiro.



 



Ainda que condições de igualdade sejam difíceis, ao menos as relações entre Brasil e Estados Unidos passam a se constituir como relações entre potências mundiais, e não mais sob uma ótica regional.



 



Note-se que é no Chile, outro parceiro importante para os estadunidenses na América Latina, onde Obama anunciará sua política para a região.



 



A política externa para o Brasil não será a mesma para o restante do subcontinente, o que é natural. Em outras palavras, com o Brasil a conversa é distinta, exatamente devido às novas dimensões de nosso país.



 



Passa da hora de reatarem-se os laços entre Brasil e Estados Unidos, as duas principais economias das Américas.



 



Passa da hora desses países, com muito mais semelhanças que diferenças, com valores compartilhados, e grandes possibilidades de cooperação, fomentarem uma relação mais harmônica e produtiva.



 



O discurso “yankees, go home!” é anacrônico e sem sentido para o Brasil de hoje. Nada o justifica, sobretudo porque país nenhum do mundo tem condições de submeter o Brasil a uma política imperialista.



 



A idéia agora deve ser de aproximação com os Estados Unidos e qualquer outra Potência que queira nos tratar com o devido respeito: “yankees, welcome!”



 



Joanisval Brito Gonçalves é Consultor Legislativo do Senado Federal para Relações Exteriores e Defesa Nacional e Consultor da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso Nacional (CCAI). Doutor em Relações Internacionais, professor e conferencista, tem publicações no Brasil e no exterior na área, com destaque para os livros Atividade de Inteligência e Legislação Correlata (Niterói: Impetus, 2009), Políticos e Espiões: o controle da Atividade de Inteligência (Niterói: Impetus, 2010), Tribunal de Nuremberg, 1945-1946 – A Gênese de uma Nova Ordem no Direito Internacional (Rio de Janeiro: Renovar, 2ª edição, 2004) e Relações Internacionais: Teoria e História (Brasília: Senado Federal, 2009). Os conceitos e opiniões aqui emitidos são exclusivamente do autor e não refletem necessariamente as posições de entidades às quais esteja eventualmente vinculado. E-mail para contato: joanisval@gmail.com. Website: www.joanisval.com.

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