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A importância da gestão internacional de crises

Marcelo Rech, especial de Madri – 

Desde a última quinta-feira, 1º, participo no Instituto Universitário General Gutierrez Mellado, vinculado ao ministério da Defesa da Espanha, da 12ª edição do Curso de Gestão Internacional de Crises. Trata-se de um evento já consolidado e que reúne especialistas civis e militares de vários países.

A gestão de crises tem ganhado cada vez mais impulso na medida em que os acontecimentos que afetam a paz e a estabilidade em uma parte do mundo, tendem a estender-se rapidamente à outras regiões sem respeitar fronteiras.

Um exemplo é a crise humanitária enfrentada por Brasil e Colômbia com a onda de venezuelanos que fogem daquele país por conta da instabilidade política e a escassez de alimentos, remédios e trabalho. Na Europa, há problemas com a precariedade do trabalho, a chegada de refugiados sírios e africanos, e os movimentos de extrema direita que podem pôr em risco o projeto de integração regional.

Para que um Estado possa atacar eficaz e rapidamente uma crise, suas estruturas precisam estar constantemente preparadas e atualizadas. Cada crise tem a sua peculiaridade. Cada uma, é resultado de um gatilho diferente, o que requer abordagens múltiplas: política, econômica, militar, diplomática, humanitária, etc.

A Espanha, por exemplo, participa ativamente na gestão internacional de crises e também realiza um esforço para que as suas estruturas e capacidades se adaptem às necessidades dos seus interesses nacionais e do papel que desempenha junto à comunidade internacional na busca pela paz e a estabilidade.

Neste sentido, estudamos a Estratégia de Segurança Nacional que assinala como objetivo prioritário o aprofundamento e a adaptação do modelo integral de gestão de crises.

Na mesma direção, a União Europeia que já possui uma intensa experiência na gestão de crises desde a aprovação do Tratado de Lisboa e com a criação do Serviço de Ação Externa, promoveu recentemente uma profunda reestruturação dos mecanismos de resposta de crises para ser mais eficaz. A OTAN e a ONU também perseguem esse caminho.

Até o final do mês, nos dedicaremos ao debate e à produção de conhecimento acerca dos desafios que se apresentam. Especial enfoque será dado à África, continente mais desgarrado por guerras, crises e conflitos, mas que vem estabelecendo uma plataforma de paz e segurança por meio da União Africana e das organizações sub-regionais.

Por outro lado, a situação de permanente instabilidade do Sahel obrigou a que os líderes da região criassem o “G5 Sahel”, para abordar os problemas de desenvolvimento e segurança. Trata-se de um grupo institucional para a coordenação da cooperação regional em políticas de desenvolvimento e questões de segurança na África Central. Foi formado em 16 de fevereiro de 2014 em Nouakchott, na Mauritânia, em uma cúpula de cinco países do Sahel: Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger.

G5 Sahel pretende fortalecer o vínculo entre o desenvolvimento econômico e a segurança e, em conjunto, combater a ameaça de organizações jihadistas que operam na região (AQMI, MUJAO, Al-Mourabitoun, Boko Haram).

Podemos afirmar ainda que o continente asiático também se está movendo no sentido de tratar as crises desde uma perspectiva regional. Destaque para as questões envolvendo o Mar da China e as tensões na Península Coreana.

Na América Latina, no entanto, não há movimentos objetivos de que possamos resolver nossos conflitos, pelo menos se considerarmos os mecanismos atuais, todos praticamente acéfalos e paralisados.

A gestão de crises é, portanto, uma preocupação constante dos Estados, das organizações multinacionais e das ONGs que se encontram em áreas onde há crises ou onde elas podem potencialmente se originar.

Marcelo Rech é jornalista, diretor do InfoRel, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contrainsurgência e o Impacto dos Direitos Humanos nos Conflitos Armados. E-mail: inforel@inforel.org.

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