Opinião

Soberania Nacional
07/04/2005
Cooperação
07/04/2005

Política de Estado

A internacionalização da Amazônia e as Forças Armadas

A audiência pública realizada no Senado nesta quinta-feira serviu, entre outras coisas, para se perceber o quanto sabemos a respeito da Amazônia. Ou melhor, o pouco que sabemos a respeito dela. Também ficou claro que não se trata de paranóia, como sugeriu o senador Jefferson Peres [PDT-AM], os temores que existem em relação a uma possível ocupação da região.

A Amazônia não é só brasileira, mas ocupa quase 60% do território nacional. Possui riquezas conhecidas e desconhecidas e está ocupada por brasileiros e estrangeiros, de bem e de caráter duvidoso. Enquanto nós desmatamos a floresta, muitos destes estrangeiros travestidos de missionários, vão mapeando o nosso solo, conhecendo nossas potencialidades e patenteando produtos às nossas custas.

As Forças Armadas, como lembrou o senador Cristovam Buarque em entrevista ao InfoRel, realizam verdadeiro milagre, pois conseguem atuar civil e militarmente numa região absolutamente inóspita com recursos que fazem rir o mais medíocre dos senadores norte-americanos.

Está claro que uma ocupação militar é de difícil consecução, mas a internacionalização, a partir da nossa incapacidade de proteger e defender o território torna-se cada vez mais evidente. Como imaginar que isso possa ser uma simples paranóia quando vários chefes de governo já declararam que o conceito de soberania sobre a Amazônia deveria ser relativo?

Não podemos aceitar como bem lembrou o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, que pessoas como Pascal Lamy, que foi comissário de comércio da União Européia e que é candidato ao cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, coloque em xeque a nossa capacidade de proteger aquela vasta região. Acertada, pois, a posição do Itamaraty em rebater tais afirmações.

Trata-se de uma questão estratégica, que precisa ser vista como tal. Como dito na audiência, o governo falha quando permite apenas que ações muito específicas e pontuais, sejam implementadas. Não dá para imaginar que possamos reunir condições de defender verdadeiramente nosso patrimônio quando a construção de um batalhão que precisa de R$ 100 milhões, conta com apenas R$ 2 milhões.

Ou o governo parte para um plano nacional em relação à Amazônia, ou deixaremos a floresta sucumbir às madereiras, ongs e tudo o mais que tem lesado tamanha riqueza ao longo das últimas décadas.

O Calha Norte está completando 20 anos e o Projeto Rondon vem sendo revitalizado. São iniciativas que precisam contar com a decisão política do governo para se tornarem verdadeiramente ações de Estado.

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