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09/03/2005
Inteligência
12/03/2005

Reforma Ministerial

Aldo Rebelo pode ser o novo ministro da Defesa

O atual ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo [PCdoB-SP], pode ficar com a vaga de ministro da Defesa. Depois das declarações do vice-presidente José Alencar, nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, quando afirmou que não tem o perfil para ministro da Defesa, e com os problemas para acomodar integrantes da base aliada, ganha força o remanejamento de Rebelo para um ministério que tem tudo a ver com ele.

Sondado para ocupar a pasta do Trabalho no lugar de Ricardo Berzoini, Rebelo rejeitou. Ele também vinha sendo cotado para retornar à liderança do governo na Câmara, onde realizou um grande trabalho no primeiro ano do governo. O ministro tem dado sinais de desconforto com a ofensiva petista e já admite deixar o posto.

Aldo foi presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados em 2002, oportunidade em que promoveu três importantes seminários sobre política externa, defesa e políticas de inteligência. Em várias ocasiões, defendeu as Forças Armadas pela falta de recursos e estrutura.

Durante a transição, seu nome foi lembrado diversas vezes para a Defesa e não encontrou obstáculos por parte dos militares. Curiosamente, o veto ao seu nome teria partido da então embaixadora dos Estados Unidos, Donna Hrinak, em reunião que Lula promovera com os embaixadores, antes de assumir em janeiro de 2003, num hotel de Brasília.

O fato de ser de um partido comunista, não diminuiu em momento algum, o respeito que cultivou das Forças Armadas. Com a crise envolvendo o então ministro José Viegas por conta das fotos supostamente de Vladimir Herzog, o nome de Rebelo voltou a ser lembrado, mas Lula preferiu surpreender e deslocou o vice-presidente José Alencar para o cargo.

Era uma forma de mostrar o prestígio dos militares com o governo e evitar rupturas graves nas relações entre a esquerda no poder e os remanescentes do regime militar, ainda na ativa ou com forte influência e voz dentros das Forças Armadas.

Aldo Rebelo acabou sendo indicado para a liderança do governo na Câmara. Em um ano, montou uma base parlamentar sólida na Casa. Não perdeu uma única votação e viu seu prestígio crescer a ponto de ser guindado a condição de ministro da Coordenação Política.

Ocorre que o PT nunca aceitou a indicação feita por Lula. Mesmo na liderança do governo, Aldo foi obrigado a conviver com sabotagens o tempo inteiro.

Não foi diferente no ministério. Próximo fisicamente de José Dirceu, que vinha perdendo influência e poder por conta do caso Waldomiro, Aldo continuou tendo seu trabalho minado pelo PT.

E o PT soube agir deixando Rebelo com um cargo sem poder. Ele negociava, mas nunca podia nomear ou liberar recursos. Isso foi minando seus esforços ‘diplomáticos’ para manter a base unida.

Também nunca teve vida fácil junto aos senadores, que sempre preferiram conversar com Dirceu. Desde outubro, a pressão em torno do cargo de Rebelo começou a ficar mais explícita. João Paulo Cunha não conseguiu emplacar a emenda da reeleição e jogou a culpa no ministro do PCdoB.

Desde então, o PT vem trabalhando diuturnamente pelo cargo de Rebelo, mas Lula, que tem grande apreço pela lealdade do ministro, vinha resistindo. Hoje, o ministro já vem sendo ignorado das reuniões sobre a própria Reforma Ministerial, indicando que Lula estaria menos resistente a mantê-lo no posto.

Como José Alencar quer ser candidato ao governo de Minas Gerais em 2006, com o apoio de Lula, ele teria oferecido o ministério da Defesa para que o presidente possa acomodar seus aliados.

Os militares, geralmente, não vêem com bons olhos esse tipo de estratégia. Preferem ficar de fora de disputas políticas, mas como Alencar não tem dado a atenção que julgam necessária para os assuntos da Defesa, a indicação de Rebelo pode ser uma saída interessante para todos.

Aldo Rebelo é um político que conhece os temas das Forças Armadas como poucos no Congresso. Mais que isso, importa-se com eles, tem opinião a respeito de estratégias e sempre apoiou os projetos de modernização das forças. Além disso, sairia da rota de colisão do ministro Dirceu e da cobiça dos petistas.

É certo que teria de lidar com as dificuldades orçamentárias, mas seria uma voz muito mais eficaz nos assuntos relativos às Forças Armadas.

Por enquanto, essa é mais uma das opções colocadas para o presidente Lula, que deverá manter contato com os comandantes para checar se há ou não resistências ao nome de Rebelo. Se não houver, Rebelo, um palmeirense convicto, poderá ser deslocado literalmente para a Defesa no time de Lula.

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