Soberania Nacional
12/03/2005
Relações Internacionais
12/03/2005

Política Externa

Aroldo Cedraz considera cenário internacional favorável ao Brasil

O deputado Aroldo Cedraz, do PFL, foi eleito presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional a Câmara dos Deputados.

Baiano de Valente, esse professor universitário, empresário, veterinário e agropecuarista prometeu trabalhar para consolidar a inserção do Brasil junto à comunidade internacional e ajudar na retomada dos acordos comerciais.

Ex-Secretário de Relações Exteriores do PFL e do Instituto Tancredo Neves, Cedraz também quer ver os deputados participando mais ativamente das discussões sobre temas sensíveis como Alca, Mercosul e OMC. Como um homem do agronegócio, ele sabe que não se ganha mercados apenas com discursos.

O deputado recebeu o InfoRel na sala da presidência da Comissão, e falou com Exclusividade sobre sua visão das Relações Exteriores e da Defesa Nacional do Brasil.

Quais devem ser as prioridades desta Comissão durante a sua gestão?

A Comissão deve ter como prioridades, as discussões que podem trazer avanços a cooperação bilateral e multilateral do Brasil. Naturalmente, as discussões que já se encontram na pauta, terão continuidade, e nós vamos buscar inovar na medida do possível, resgatando o papel da Comissão e aproximando-a cada vez mais da sociedade brasileira, ampliando o intercâmbio com o Executivo através do Itamaraty, ministérios da Defesa, do Desenvolvimento Econômico e Agricultura. Na medida do possível, contribuir com a nossa pauta de exportações e também aumentar o valor dessa pauta. O que nós queremos é avançar nessa direção do estreitamento da cooperação, tanto vertical quanto horizontal.

Com a retomada de várias negociações, entre elas, a da Alca, pode-se adiantar que Comércio será uma prioridade nos trabalhos da Comissão?

Não tenha dúvidas. Eu acho que nós devemos buscar dentro da nossa pauta de trabalho, não apenas rediscutir todas essas questões, repensar o Mercosul, retomar as negociações da Alca, fazer com que as vitórias alcançadas na OMC se repitam em outros setores também. De fato, esses são assuntos prioritários dentro dos trabalhos que vamos desenvolver este ano na Comissão. E eu espero que nós possamos dar a nossa contribuição para que a gente possa avançar no comércio exterior.

Para isso, não é preciso que o governo subsidie a Comissão com informações sobre o andamento dessas negociações?

O relacionamento entre o Executivo e o Legislativo está previsto na Constituição e eu espero dar a minha contribuição para que haja de fato, não só uma atuação responsável entre os poderes, mas também maior integração, pois governar é uma responsabilidade de todos.

É possível imaginar os deputados participando de discussões com o Executivo antes dos acordos serem firmados e chegarem ao Congresso?

Esses assuntos sobre acordos-quadro se arrastam na Comissão há mais de dez anos e nunca conseguimos chegar num denominador comum. É preciso avançarmos em direção a um processo, uma forma de trabalho, que atenda o Executivo e se respeite mais o Legislativo. É claro que é um assunto complexo que nós vamos encontrar em cada um dos países parceiros e eu espero que durante esse ano, a gente possa avançar para esse entendimento, que ele seja formalizado e que o Legislativo passe a ser consultado todas as vezes que o Brasil estiver estabelecendo uma nova cooperação dentro deste tipo de acordo-quadro.

Temas sensíveis e que dizem respeito às Forças Armadas, estão na pauta. Como o senhor espera relacionar-se com os militares e contribuir, através da Comissão, para que haja um bom relacionamento e a solução de problemas como os de Orçamento?

Eu acho que não poderia ter tido ao longo destes anos de trabalho nesta Comissão, missão mais difícil nesse relacionamento que a extinção dos ministérios militares e implantar um ministério civil como o da Defesa. E isso só foi possível graças ao apoio que recebi dos colegas e também do alto nível de entendimento que sempre encontrei com todos os representantes das nossas forças e também porque nós precisávamos avançar no nosso modelo de Estado, no nosso modelo institucional e não seria possível que o Brasil não tivesse, por suas dimensões, um ministério da Defesa que pudesse também estar sendo ocupado por um civil. Hoje, fico muito mais à vontade para fortalecer esse relacionamento com o ministro da Defesa, os comandantes militares e do Estado-Maior, para discutirmos temas orçamentários e das políticas para as forças, e até mesmo na aplicação das nossas forças dentro do território nacional ou fora dele.

Como o senhor recebeu o encerramento do processo de licitação para a compra dos caças para a Força Aérea?

De fato esse é um processo conhecido da Casa. Nós sabemos das necessidades de reaparelhamento das nossas forças e eu tenho certeza que essa licitação foi cancelada por problemas momentâneos encontrados pelo Executivo, mas nós vamos continuar dando nossa contribuição sobre o tema, mantendo contatos permanentes com os representantes das forças para que na medida do possível nós encontremos os caminhos para o reaparelhamento das nossas forças. Não vamos nos reunir apenas para discutir e votar o Orçamento da Defesa.

O senhor vai buscar um intercâmbio maior entre as comissões da Câmara e do Senado?

O relacionamento entre Senado e Câmara é permanente. Tenho certeza que no Senado, a Comissão de Relações Exteriores, presidida pelo senador Cristovam Buarque, não permitirá que encontremos dificuldades de relacionamento, até porque somos oriundos da academia, da universidade brasileira, e estou seguro que os nossos entendimentos serão no melhor nível possível.

O relacionamento com os países vizinhos é prioritário para o governo. Será também para a Comissão no momento de apreciar os acordos bilaterais, por exemplo?

Eu tenho dito que o Brasil está assumindo, tanto no nível do hemisfério como a nível mundial, um papel cada vez mais importante. E esse papel é tão relevante que aonde chego, vejo uma preocupação enorme sobre a participação do Brasil no Conselho de Segurança da ONU. Claro que num relacionamento com os nossos parceiros mais próximos, não só na ampliação do nosso bloco comercial, mas também nas tratativas políticas sobre todos os aspectos de segurança, na cooperação internacional técnico-científica, mesmo do comércio internacional, a presença do Brasil vai ser cada vez mais marcante. Essa é, de fato, uma posição que nos pertence, nos cabe e nós saberemos dar a contribuição legislativa para que o Brasil nessa liderança.

Ao longo dos últimos anos, a Comissão de Relações Exteriores foi ganhando importância e visibilidade. Por quê?

A Comissão é importante não só por que trata da política externa do Brasil, mas também porque trata das questões relativas a nossa área de defesa. Nisso tudo, você tem um envolvimento tecnológico muito grande, uma responsabilidade enorme no estabelecimento de novas parcerias e manutenção das parcerias tradicionais e nós estamos vendo que, depois da globalização, há um dinamismo muito grande dos mercados, na formação dos blocos econômicos e políticos, e eu acho, particularmente, que essa contribuição vai ser mais forte a cada dia porque nós sabemos que o Brasil precisa vencer as barreiras externas que estão aí, as fragilidades na área econômica, por que não tem outra maneira para consolidarmos esse processo de desenvolvimento econômico e também de estabelecimento de uma economia sem inflação, com uma compreensão clara da importância desse fenômeno para o nosso desenvolvimento econômico. Eu tenho certeza que a nossa Comissão vai dar uma grande contribuição, porque, se nós não vencermos essas dificuldades que temos conseqüentemente nós não conseguiremos estabelecer um regime econômico que já caiu no gosto dos brasileiros e que tem de ser aquele que é muito parecido com aquele que nós encontra

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