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03/03/2005
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07/03/2005

Diplomacia

Brasil acompanha crise na Bolívia com preocupação

Não apenas os esforços que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem empreendido para consolidar a integração física da América do Sul, que correm riscos na Bolívia, país que enfrenta instabilidades políticas que estão tirando o sono da diplomacia brasileira.

Por volta de 1h da manhã desta segunda-feira, o assessor internacional Marco Aurélio Garcia tomou conhecimento de que o presidente Carlos Mesa apresentaria sua renúncia junto ao Congresso boliviano, uma vez que a nova lei sobre hidrocarbonetos contraria o desejo do o presidente Carlos Mesa.

O Brasil tem especial interesse em saber como ficará a Petrobrás, empresa que é responsável por 15% do PIB boliviano e 25% da arrecadação total do país.

O projeto apresentado pelo governo teria sido modificado graças às pressões exercidas pelos movimentos sociais, liderados pelo deputado Evo Morales. O Congresso boliviano vai deliberar sobre o pedido de renúncia, na próxima quarta-feira.

Especula-se que a estratégia de Mesa seja obter um voto de confiança do Parlamento, para mudar a lei, mas o governo brasileiro prefere não entrar no mérito do problema focando a gravidade da situação.

“A Bolívia é um parceiro do Mercosul desde sempre. Não poderíamos nos omitir”, assegurou Garcia, garantindo que a cláusula democrática do Mercosul não será invocada, pois há uma instabilidade e não uma ruptura no país.

Marco Aurélio Garcia conversou nesta segunda-feira com o ministro da presidência da Bolívia, José Galindo, com o chanceler uruguaio Reinaldo Gargano e com o vice-chanceler argentino. Os três países discutem ações que preservem a democracia boliviana.

Até o momento, está descartado qualquer contato com o líder cocaleiro Evo Morales. Garcia lembrou que o Brasil participa da crise boliviana desde 2003 quando o então presidente Sanchez Lozada renunciou em meio a uma crise que resultou na morte de 100 pessoas.

Para Marcio Aurélio Garcia, é importante que o Mercosul como um todo se manifeste. A ministra das Relações Exteriores do Paraguai, Leila Rachid seria contactada para que o bloco divulgasse uma nota oficial em solidariedade ao presidente Mesa, a exemplo do que fizeram os vice-chanceleres da Comunidade Sul-Americana de Nações, reunidos em Lima, no Peru.

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