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21/04/2005
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21/04/2005

Comércio Exterior

Brasil pode abster-se de votar na OMC

O governo brasileiro ainda não decidiu em quem votar para o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio. Depois de tentar derrubar a candidatura do uruguaio Carlos Perez Del Castillo, o Brasil fica numa situação complicada, pois lhe restam apenas duas opções e as duas são muito ruins.

Ou vota em Pascal Lamy, o francês que foi comissário de Comércio da União Européia, é apoiado pelos Estados Unidos e visto como um partidário dos subsídios agrícolas defendidos na Europa, ou, num gesto pró-ativo pela integração política da América do Sul, vai de Perez Del Castillo.

Não é uma decisão fácil, principalmente depois que o ministro Celso Amorim detonou o uruguaio e admitiu ter errado na avaliação para lançar o embaixador Luiz Felipe Seixas Corrêa. Por essa razão, a abstenção começa a ganhar corpo no Itamaraty.

A escolha deve acontecer na primeira quinzena de maio, quando o Brasil também terá outro importante desafio: ajudar a eleger o chileno José Miguel Insulza para o cargo de Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos.

O que não pode ser ignorado é a divisão dos países da região em relação aos dois temas. A Argentina, principal parceira do Brasil no processo de integração, por exemplo, descartou Seixas Corrêa, considerando sua candidatura tardia. Também vem de Buenos Aires, as críticas mais ácidas em relação ao Conselho de Segurança da ONU.

Tudo isso junto pode resultar numa combinação negativa capaz de frear os esforços pela integração sul-americana, um projeto nascido no Brasil e que tem reforçado o papel protagonista do país em termos de política externa regional.

E, não podemos esquecer que também em maio, teremos a Cúpula América do Sul – Países Árabes. Trata-se de um evento inédito, onde duas regiões que nunca se perceberam, podem mudar radicalmente a geografia do comércio exterior mundial.

Resta saber quantos e quais serão aqueles que tentarão sabotar o projeto. Ainda que os primeiros resultados não sejam aqueles sonhados pelos imediatistas, só o fato de fazer acontecer o encontro já deveria merecer o devido e respeitoso destaque.

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