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12/03/2005
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12/03/2005

Fronteira da Morte

Câmara e Senado querem investigar tráfico de brasileiros para o México

No ano passado, foi proposta a criação da uma Comissão Parlamentar de Inquérito [CPI], no Senado para se investigar as máfias de “polleros”, brasileiros que entram ilegalmente nos Estados Unidos usando o México como trampolim. A CPI chegou a ser aprovada, mas os partidos não indicaram seus integrantes e ela acabou arquivada.

Proposta pelo senador Hélio Costa [PMDB-MG], que chegou a intermediar a repatriação de 200 brasileiros que estavam presos nos Estados Unidos, a CPI investigaria uma empresa área mexicana que estaria facilitando as viagens dos brasileiros para a Cidade do México, a partir do aeroporto internacional de Guarulhos.

Agora, é a vez do senador Eduardo Azeredo, presidente do PSDB e vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Senado, buscar maiores informações a respeito. Ele teve seu requerimento de informações aprovado na Comissão e quer que o Itamaraty explique, sobretudo, a morte de brasileiros no México.

Esses brasileiros são vítimas do forte calor no deserto mexicano, sede e animais venenosos. Todos têm um único objetivo: conseguir cruzar a fronteira com os Estados Unidos. A maioria consegue ser presa com facilidade, pois já são encontrados fortemente debilitados.

O requerimento foi aprovado por unanimidade. Eduardo Azeredo quer saber o que o Itamaraty tem feito a respeito, inclusive em relação a identificação dos corpos dos brasileiros mortos. Para o senador, é importante também que o ministério das Relações Exteriores ajude no trabalho de repatriação desses corpos.

Em 2004, o Congresso brasileiro aprovou acordo de cooperação entre Brasil e México, para a supressão de vistos entre os dois países. A medida é vista por muitos parlamentares, como um estímulo a mais para os brasileiros se lançarem nesse desafio fatal.

Eduardo Azeredo defende uma revisão do acordo como forma de inibir as ações das máfias que agem principalmente nos estados de Minas Gerais e Goiás. O objetivo do acordo é estimular o turismo de negócios entre Brasil e México.

Hélio Costa garantiu que reapresentará o pedido de CPI e vai cobrar dos líderes a indicação dos integrantes para que as investigações apontem os responsáveis e apresente alternativas de combate ao tráfico de pessoas.

Enquanto isso, na Câmara dos Deputados, a Comissão de Direitos Humanos aprovou requerimento dos deputados Ivo José [PT-MG] e Iriny Lopes [PT-ES], para que os jornalistas Hélio Campos Mello e Alan Rodrigues, da revista IstoÉ, sejam ouvidos em audiência pública, a respeito da reportagem “Travessia Mortal”, publicada na edição do dia 2 de março.

Segundo a reportagem, há um cemitério clandestino no deserto norte-americano de Yama, oden poderiam estar os corpos de 180 brasileiros. Esses brasileiros seriam vítimas da imigração norte-americana. Por outro lado, querem investigar ainda a participação de agências de turismo do Brasil que estariam oferecendo empregos nos Estados Unidos.

O assunto é tratado na mesma reportagem. Essas agências estariam recrutando brasileiros a partir de Belo Horizonte. Cada “pollero” pagaria entre US$ 10 mil e US$ 15 mil para tentar entrar nos Estados Unidos até duas vezes.

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