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12/03/2005
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14/03/2005

Esquerda

Denúncia de ligação das Farc com PT pode acabar em CPI

As denúncias levantadas pela revista Veja em sua edição deste final de semana, acabaram repercutindo além do que o governo esperava. Por se tratarem se denúncias antigas, o governo imaginava que não haveria discussão em torno da reportagem, mas terá de trabalhar muito para evitar que uma CPI mista, de deputados e senadores, seja aberta para apurar o conteúdo da matéria.

Há mais de dois anos, o deputado Alberto Fraga [PTB-DF], fez as mesmas denúncias, foi ameaçado de processo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nunca apresentou as provas da ligação PT- Farc e calou-se. Com a reportagem, o assunto ganha sobrevida e dá à oposição, uma oportunidade a mais de azucrinar com o governo.

O senador Demóstenes Torres [PFL-GO] enviou à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso, dois requerimentos solicitando investigações dos parlamentares sobre as denúncias da suposta ligação.

Ele quer que o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, General Jorge Armando Felix, e o diretor-geral da Agência Brasileira de Informação [Abin], delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva sejam ouvidos na Comissão.

O terceiro depoimento é mais complicado, pois seria do pivô da denúncia, o colombiano Francisco Antonio Cadenas Colazos, conhecido nos meios políticos de Brasilia como o padre católico Olivério Medina.
Ele transita com desenvoltura Brasil afora.

Já foi palestrante em diversas universidades públicas incluindo a UnB e UFSC. Esteve em duas edições do Fórum Social Mundial, onde trabalhou na divulgação das Farc como um Exército Popular.

O senador acredita que, se as informações forem fictícias, o Brasil sairá ganhando, mas se forem verdadeiras, terão de ser exaustivamente esclarecidas. Para Demóstenes Torres, não basta encontrar o vínculo entre as Farc e o PT, mas os possíveis beneficiários dos recursos que teriam sido levantados pela organização.

Demóstenes Torres leu em plenário, trechos de um estudo que fez sobre a gênese e o desenvolvimento do movimento revolucionário colombiano e os contatos das Farc com o PT.

De acordo com o senador, as duas organizações fazem parte do Foro São Paulo, entidade criada por iniciativa do PT em 1990, e que reúne 48 partidos de esquerda latino-americanos. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve pelo menos quatro encontros com o segundo nome das Farc, Raúl Reyes, afirmou Torres.

Na Câmara dos Deputados, Alberto Fraga garantiu que vai tentar uma nova CPI para o caso e pediu que o PT permita a investigação. Da primeira vez, ele conseguiu cerca de 170 assinaturas.

Em Nota Oficial, o Partido dos Trabalhadores repudia a reportagem da revista Veja, que destaca supostas ligações financeiras com o PT, o que a própria revista afirma não ter encontrado elementos suficientes para poder afirmar.

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