Opinião

Programa Espacial
03/03/2005
Diplomacia
03/03/2005

Legislativo

Derrota de Severino fortalece Renan Calheiros no Congresso

Como era previsto, o nome forte na condução dos trabalhos do Congresso deve ser mesmo do senador Renan Calheiros [PMDB-AL], presidente do Senado.

Coube à ele, dizer um não ao presidente da Câmara, aos juízes e até mesmo ao ministro Nelson Jobim, presidente do STF e que estava tão entusiasmado com um reajuste salarial quanto os 300 deputados que votaram em Cavalcanti.

Ex-ministro da Justiça e ex-deputado federal constituinte, Jobim instruiu Severino sobre como encaminhar a proposta sem precisar de votação, o que pode até ser legal, mas seria de uma imoralidade sem tamanho. Principalmente quanto somos obrigados a acompanhar a celeuma com que os deputados tratam a votação do salário mínimo.

A brecha jurídica foi vetada pelo presidente do Senado, numa demonstração de força política e percepção das reações contrárias da opinião pública em relação aos vencimentos dos parlamentares. Renan disse não e ainda adiantou que vai cortar gastos para moralizar o Senado.

O governo preferiu ficar de fora desse imbróglio, até por que Lula depende de Severino para ver o processo por crime de responsabilidade, apresentado pelo PSDB, arquivado. Pesou a posição dos partidos e de muitos parlamentares que consideraram o reajuste inoportuno.

Mas foi a pressão popular feita diretamente aos parlamentares que colocou por água abaixo, a principal promessa de campanha de Severino Cavalcanti. As caixas eletrônicas dos deputados e senadores entupiram de mensagens pedindo vergonha na cara e a rejeição da proposta.

Isso mostra que os políticos têm muito poder, mas o maior deles está com o eleitor. É ele que tem a capacidade de encurtar, nas urnas, os projetos políticos mais ambiciosos. Como as eleições acontecem no ano que vem, é melhor deixar esse negócio de aumento para o futuro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *