Relações Exteriores

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31/03/2005

Diplomacia

Entrevista coletiva do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim

Ministro: Boa tarde. Como sabem, eu estive aqui, hoje, para acompanhar o telefonema entre o presidente Lula e o secretário-geral Kofi Annan, que ligou quando o presidente Lula estava em viagem e marcou-se o telefonema para hoje, há cerca de meia hora atrás.

O objetivo do telefonema do Secretário-Geral da ONU era falar um pouco sobre o processo da reforma, inclusive o relatório que ele enviou para a Assembléia Geral, e pedir apoio às iniciativas da reforma, como ele tem pedido também, imagino eu, a outros líderes. Mas, especificamente, ligou para o Presidente com este objetivo. Relatou um pouco os passos que têm sido dados, o fato de que haverá uma sessão extraordinária da Assembléia Geral nos dias 14, 15 e 16 de setembro, quando as propostas deverão ser consideradas.

E o presidente Lula, em primeiro lugar, agradeceu o telefonema. Agradeceu, também – creio que isso é um ponto importante a ressaltar – as duas referências que existem, específicas, ao Brasil, no próprio relatório, referências elogiosas. Uma cita o Brasil, entre outros países em desenvolvimento, como países que hoje prestam assistência a países mais pobres, porque são poucos, ele cita três países, se não me engano, cita Brasil, China e Índia como países que prestam assistência a países mais pobres.

E a outra referência tem a ver com a iniciativa sobre o combate à fome e à pobreza, e mecanismos de financiamento inovadores para combater a fome e a pobreza. E essa iniciativa está, também, mencionada no relatório como um aspecto importante para que se possa atingir as Metas do Milênio.

O Presidente confirmou o seu engajamento pessoal com a reforma como um todo, a reforma da ONU, da estrutura da ONU, do Conselho de Segurança, e de apoiar e trabalhar ativamente. Disse, aliás, que eu estaria à disposição do Secretário-Geral para o que fosse necessário.

E ele próprio reafirmou o seu empenho em continuar esse trabalho, no caso também dos mecanismos de financiamento para o combate à fome e à pobreza. Reiterou a sua intenção de estar na Assembléia, entre os dias 14 e 16 de setembro. E de termos, daqui até lá – utilizando o grupo de trabalho que foi criado, que hoje conta com Brasil, França, Chile, Espanha e Alemanha, além da própria participação da Secretaria-Geral – de termos daqui até setembro, propostas, inclusive mais elaboradas e mais detalhadas.

Eu creio que, em essência, foi isso o que se passou na conversa. E, enfim, ficamos, digamos, no meu nível mesmo, de continuar esse diálogo e, se necessário, o próprio Presidente, evidentemente.

Eu queria aproveitar a ocasião porque, estando com o Presidente, eu levei ao conhecimento dele o fato de nós termos recebido, no Ministério das Relações Exteriores, a carteira que, aparentemente, tudo indica, pertence ao engenheiro João Vasconcelos, e que é o resultado dos esforços que nós temos feito desde o início desse processo.

Como sabem, quando houve a notícia do seqüestro, poucos dias depois, enviamos à região um emissário especial, que é o nosso embaixador para o Oriente Médio, o embaixador Afonso Ouro Preto, que teve muitos contatos na região. O próprio presidente Lula, aliás, havia ligado um dia antes, ou ligou no próprio dia em que partiu Ouro Preto, para o presidente da Síria.

O embaixador Ouro Preto teve inúmeros contatos na região, com todas as pessoas que poderiam contribuir, sejam dos países que passaram por situações semelhantes, sejam de outros países que têm conhecimento na região, sejam dos próprios países da região, e também pessoas da sociedade civil que, de alguma maneira, poderiam ter alguma contribuição.

Isso foi feito ao longo desses últimos 60 dias. Mais recentemente, mandamos um emissário, na realidade dois emissários, a Bagdá, no Iraque, o embaixador Teles Ribeiro, acompanhado do diplomata Joppert, que é o nosso chefe do núcleo Iraque na Embaixada em Amã, e eles também tiveram inúmeros contatos, inclusive contatos de… bastante, enfim, enfrentando enormes perigos, digamos assim, e em pelo menos um desses contatos nem sequer a segurança quis acompanhá-los.

Mas, enfim, como resultado de todos esses esforços e de outros que foram desenvolvidos também pela empresa onde trabalha o engenheiro, chegou a nós esse documento que, aparentemente, é o mesmo que foi mostrado pela Al-Jahzira 3 ou 4 dias depois do seqüestro.

Enfim, acho que este é um fato importante. Evidentemente que, a partir daí, este foi um primeiro contato concreto, digamos assim, que se logrou. Houve muitos contatos e pistas que se revelaram verdadeiras, outras não se revelaram verdadeiras ou, pelo menos, não pudemos comprová-las, e este é um primeiro contato.

Então, a partir disso, continuaremos a trabalhar com o objetivo de resgatar esse cidadão brasileiro. Temos a esperança de que ele esteja vivo e continuaremos a trabalhar nesse sentido. Temos, também, tido contato com a família e com a Companhia, então eu queria relatar este fato a vocês, que eu relatei ao Presidente hoje.

Jornalista: Eu queria que o senhor precisasse mais de que forma a carteira com o documento chegou às mãos do Ministério, e se a ida desses dois diplomatas a Bagdá tem relação, e qual é a relação com a obtenção dos documentos?

Jornalista: Um esclarecimento, Ministro. Eu queria que o senhor dissesse qual é o tipo de carteira. É uma carteira de dinheiro, é uma carteira….

Ministro: Não, é um documento de mergulhador, de sócio de uma associação de mergulho. Mas é um documento que tem a fotografia do João Vasconcelos.

Eu peço que vocês tenham compreensão para que eu não entre em detalhes de como nós obtivemos, como chegou a nós, porque tudo isso tem influência na seqüência do caso, e evidentemente que o nosso objetivo é ter êxito na busca para trazer de volta o nosso concidadão. Então, eu peço que vocês tenham compreensão para isso.

Com relação à pergunta que foi feita, eu não quero criar uma relação direta porque são tantos os fatos que se deram, e é um processo complexo. Os contatos que tivemos foram muito variados, houve os contatos em Bagdá, mas houve contatos antes também.

Como disse, o embaixador Ouro Preto está já há mais de 60 dias, outras pessoas também o acompanharam, então como fruto de todos esses contatos – eu não poderia dizer exatamente de qual – e do trabalho também, isso tudo tem sido feito pelo governo, sempre e também em transparência com a empresa, que também fez os contatos dela. Como resultado desse processo, esses documentos chegaram a nós hoje. Esse documento, perdão.

Jornalista: Teria sido, surgido informações extra-oficiais de que teria sido um diplomata da Jordânia que trouxe o documento para o Itamarati. Esta informação procede?

Ministro: Eu já disse na resposta à pergunta anterior, sobre o embaixador Sérgio Teles, que eu não iria comentar nada sobre o processo porque isso não ajuda em um encaminhamento futuro positivo.

Jornalista: Ministro, o embaixador Afonso Ouro Preto veio para o Brasil ou ele continua na região?

Ministro: Ele continua na região.

Jornalista: A família já foi avisada dessa carteira? Já houve contato com a família hoje?

Ministro: Tem havido contato com a família.

Jornalista: Mas a família já soube da existência desse documento?

Ministro: Nós estamos avisando a família.

Jornalista: Eu gostaria de saber se houve, na conversa com o Secretário-Geral, alguma situação ao fato de o relatório preliminar da Comissão que estava, exatamente, investigando a questão da troca de petróleo por comida no Iraque, em que o filho do Secretário-Geral está envolvido?

Ministro: Não houve referência a isso. Evidentemente eu posso dizer, mas aí estou dizendo em meu nome, não houve nenhuma referência na conversa. Evidentemente, nós ficamos

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