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Ex-procuradora venezuelana: Odebrecht entregou US$ 35 mi a Maduro

Marcelo Rech, especial de Madri –

A ex–procuradora geral da Venezuela, Luisa Ortega Dias, afirmou nesta quinta-feira, 2, que a construtora brasileira Odebrecht entregou US$ 35 milhões ao presidente Nicolás Maduro, para a sua campanha presidencial de 2013. Ainda segundo ela, o líder chavista havia exigido US$ 50 milhões, mas o chefe de operações da empresa brasileira em Caracas, Euzenando Azevedo, apurou “apenas” US$ 35 milhões.

A denúncia de Ortega guarda relação com as informações apuradas nas investigações da Operação Lava Jato que implicam dezenas de autoridades brasileiras e estrangeiras. Ela sustenta ainda que a Odebrecht pagou dezenas de milhões de dólares durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro em troca de contratos para obras de infraestrutura na Venezuela.

No final de fevereiro, Luisa Ortega solicitou a captura internacional de Maduro. Na quarta-feira, 28, ela reafirmou as denúncias junto à Comissão de Política Interior do Congresso colombiano. Na sua avaliação, os casos de corrupção liderados pela Odebrecht atingem praticamente toda a América Latina.

“Pedi a Interpol que emitisse um alerta vermelho contra Nicolás Maduro, e que seja preso no Peru caso compareça à Cúpula das Américas. Que possam detê-lo onde quer que vá”, afirmou. Também em 19 de fevereiro, Luisa Ortega pediu ao Tribunal Superior de Justiça da Venezuela, um antijuízo de mérito contra Maduro por delitos de corrupção, legitimação de capitais e subornos pagos pela Odebrecht.

Além de Maduro, outros aliados do chavismo enfrentam graves acusações, como é o caso do governador de Carabobo, Rafael Lacava, quem ocultou recursos na Suíça e em Andorra, pequeno paraíso fiscal localizado entre Espanha e França. O dinheiro, segundo apurado pelas autoridades europeias, é fruto de uma intermediação para a construção de uma refinaria no estado venezuelano.

O Banco Privado de Andorra (BPA) confirmou que Lacava mantinha uma conta desde 2009 na instituição. Neste ano, o governador de Carabobo participou da Sociedade de Investimentos de Capital Variável (SICAV), na Suíça. De acordo com o BPA, trata-se de um instrumento que permite aos milionários pagar menos impostos sobre grandes fortunas.

O BPA revelou ainda que Rafael Lacava tentou evitar qualquer rastro sobre os recursos usando uma estrutura complexa. Ele depositou o dinheiro em uma conta em Andorra em nome de uma sociedade chamada Iberoamérica Assets Corporation, para quem nomeou um testa de ferro. A ideia, segundo o banco, era movimentar dinheiro oriundo da Venezuela, a exemplo do que já faziam outros dirigentes chavistas.

Eleições

A União Europeia classificou a situação na Venezuela de “espantosa a nível humanitário” e apelou ao governo para garantir “eleições justas e confiáveis”, ao mesmo tempo em que se disse preparada para “reagir” caso essas medidas não sejam adotadas.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, afirmou que o bloco espera por “eleições livres e justas com a participação de todos os partidos políticos venezuelanos e uma composição revista e equilibrada do Conselho Nacional Eleitoral (CNE)”.

Na Europa, a decisão do CNE de postergar as eleições para maio ainda é vista com desconfiança. Mogherini considera crítica a situação da Venezuela e não descarta ampliar as sanções aplicadas pelo bloco àquele país. Recentemente, a UE impôs um embargo de armas e sanções a membros do regime, a exemplo do que já fazem Estados Unidos e Canadá.

Enquanto a União Europeia observa de perto o que se passa na Venezuela, Caracas vai perdendo aliados. Nesta semana, o chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, defendeu o voto favorável à resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA) que exige o adiamento das eleições presidenciais naquele país.

Na avaliação de Novoa, “as eleições na Venezuela serão de partido único e proscrição dos opositores”. Ele também criticou a decisão de Nicolás Maduro de convocar eleições para renovar a Assembleia Nacional, de maioria opositora e cujo mandato está vigente.

“Me parece que o governo está aproveitando a decisão dos partidos de oposição de não se apresentarem às eleições nestas condições, com partidos proscritos, presos políticos, dirigentes proscritos, para eleger uma Assembleia Nacional sem oposição”, afirmou Novoa.

Até recentemente, o Uruguai preferia não votar as resoluções contra a Venezuela. O país também não integra o Grupo de Lima. As declarações do chanceler provocaram críticas internas. Partidos de esquerda que integram a Frente Ampla acusam Novoa de imiscuir-se em temas internos da Venezuela.

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