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19/04/2005
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19/04/2005

Relações Exteriores

Governo brasileiro teme fracasso de Cúpula

Marcelo Rech

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou um golaço ao propor a realização da Cúpula América do Sul – Países Árabes, mas o tiro ainda pode sair pela culatra. Apenas 15 Chefes de Estado e de Governo anunciaram que virão à Brasília. O presidente argentino, muito mais por despeito, não deve comparecer.

O Peru atravessa situação delicadíssima, assim como a Bolívia e o Paraguai, com quem o Brasil teve problemas por conta do aperto ao contrabando. Some-se a mais recente crise institucional no Equador e um possível agravamento dos problemas entre Colômbia e Venezuela, após a prisão de guerrilheiros e soldados colombianos na Venezuela, e Cúpula pode ser esvaziada por aqui mesmo.

E não podemos esquecer dos problemas históricos entre Venezuela e Guiana e as eleições no Suriname, que devem impedir a vinda do presidente Runaldo Ronald Venetiaan. A região enfrenta uma ebulição de problemas, o que pode inviabilizar os objetivos políticos e comerciais da Cúpula.

Segundo a Câmara de Comércio Árabe – Brasileira, o comércio do Brasil com os 22 países que integram a Liga Árabe, cresceram 8% nos três primeiros meses do ano. No último ano, esse crescimento chegou a 24,8%.

Somente entre abril de 2004 e março de 2005, o Brasil lucrou US$ 4 bilhões no comércio com os árabes, razão pela qual, o Itamaraty trabalha sem parar para garantir o quorum da Cúpula. No total, serão gastos cerca de R$ 6 milhões, quase metade do orçamento do Ministério das Relações Exteriores para eventos em 2005, somente com esta Cúpula.

Para piorar, há uma preocupação que o Itamaraty não conseguiu minimizar até o momento. Norte-americanos e israelenses acreditam que o encontro poderá servir de propaganda contra o Estado de Israel.

Eles não entendem por que a Autoridade Palestina, por exemplo, é convidada para um evento supostamente criado para incrementar os negócios.

Os Estados Unidos tentaram participar do encontro como observadores justamente por desconfiarem das pretensões do evento. Além disso, mantém o foco no presidente venezuelano e sua propaganda cubano-socialista entre os países sul-americanos.

Alegando razões de segurança, o Itamaraty não divulga os nomes dos chefes de Estado e de Governo que já confirmaram presença. Especula-se que nenhum nome de peso, como o presidente da Líbia Muamar Kadafi, ou o presidente egípcio, Hosny Mubarak teriam confirmado presença.

Marcelo Rech é Editor do InfoRel

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