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12/03/2005

Inteligência

Governo nega treinamento de agentes da Abin em Cuba

As recentes notícias de que o Brasil, através da Agência Brasileira de Inteligência [Abin], estaria formalizando um acordo de cooperação com os serviços de inteligência de Cuba, incluindo o envio de agentes brasileiros para receberem treinamento na Ilha, estão mobilizando o Congresso.

Na Câmara, foi aprovado requerimento do deputado Fernando Gabeira [PV-RJ] para que o diretor da agência, Mauro Marcelo, explique em audiência pública, o que de fato existe em relação a sua viagem à ilha de Fidel Castro.

No Senado, o líder do PSDB, Arthur Virgílio, pediu informações formais sobre tal interesse e o senador Cristovam Buarque, presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, acredita que a cooperação deve ser com todos os países estratégicos para o Brasil. Ele condena qualquer viés ideológico em relação ao tema.

Especula-se que José Dirceu teria sido ‘convidado’ pela Secretária de Estado dos Estados Unidos, Condollezza Rice, para uma conversa em torno do assunto, semana passada em Washington. Por outro lado, Mauro Marcelo poderia estar tratando de temas ligados às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia [Farc]. O governo trabalha para antecipar cenários e evitar problemas com a guerrilha em território brasileiro.

Na tarde desta sexta-feira, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, divulgou nota oficial em que afirma que não enviará agentes para treinamento em Cuba. Leia a íntegra da Nota do GSI:

Tendo em vista a publicação de notícias sobre a visita do Diretor da Agência Brasileira de Inteligência [ABIN] a Cuba, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República [GSIPR] esclarece que:

1 – Terrorismo, tráfico de drogas, contrabando de armas, tráfico de seres humanos, crime organizado e lavagem de dinheiro são delitos transnacionais, que não respeitam fronteiras, raças, ideologias ou religiões. Ameaçam igualmente a todos os países com os objetivos de obter lucros, intimidar ou provocar o ódio.

2 – Para enfrentar essas ameaças, é preciso que os governos e seus órgãos de segurança se antecipem. A propósito, em recente encontro do Clube de Madri, conforme cita o jornalista Merval Pereira no artigo intitulado Definir o Alvo [Jornal O Globo, p.4, edição de 10 de março de 2005], um dos painéis que reuniu especialistas em informações concluiu: “[…] é preciso uma cooperação entre as agências de informação e as polícias de todos os países, sem caráter político, e dentro das normas legais”.

3 – Seguindo essa mesma filosofia, o GSIPR e a ABIN, por suas iniciativas e também por proposta e/ou solicitação de outros países, vêm estreitando suas ligações com inúmeros serviços de inteligência, inclusive o de Cuba, a fim de se antecipar aos delitos mencionados.

4 – Não houve nem há a intenção de formar profissionais de inteligência em Cuba ou em qualquer outro país. Possuímos uma excelente Escola de Inteligência [EsInt], comparável às melhores do mundo, além do que a legislação brasileira impõe a formação dos servidores da ABIN na EsInt.

5 – Da mesma forma, não há previsão de enviar integrantes da ABIN a Cuba visando o intercâmbio de informações. Para isso existem outros canais, já em uso, entre o Brasil e outros países com os quais trocamos informações.

A Agência Brasileira de Inteligência trabalha para entregar, até o meio do ano, o que seria uma visão prospectiva da Abin, “elaborada por meio do cruzamento de fatores portadores de futuro dos ambientes interno e externo, com a finalidade de instruir o planejamento estratégico organizacional e nortear as decisões gerenciais da Abin”, diz o relatório de gestão das atividades da agência.

Além disso, a Abin está implantando um processo de instalação de postos no exterior. Para tanto, estão sendo analisadas as disponibilidades e prioridades. Está praticamente definido o envio de agentes para o Paraguai e Colômbia.

No dia 8 de outubro do ano passado, Mauro Marcelo de Lima e Silva, e o diretor adjunto, José Milton Campana, participaram do II Encontro de Chefes de Serviços de Inteligência da América do Sul, em Buenos Aires.

Participaram representantes da Argentina, Chile, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, Suriname e França. O evento foi precedido pelo II Encontro de Técnicos dos Serviços de Inteligência da América do Sul, onde foram debatidos temas como terrorismo, crime organizado, pobreza extrema como fator de desestabilização, entre outros.

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