Opinião

Bolívia
09/03/2005
Militarização
09/03/2005

Integração sul-americana

Instabilidade na Bolívia prejudica integração sul-americana

A crise boliviana parece contornada, pelo menos por enquanto. Os movimentos sociais bolivianos estão cheios da espoliação estrangeira no país. Rico em gás natural, a Bolívia tem uma distribuição de renda vergonhosa.

Algo como a Venezuela que, apesar de ser o 5º maior exportador de petróleo do mundo, não consegue reduzir a pobreza e a miséria absolutas.

O Brasil tem tido um envolvimento na Bolívia desde 1995 quando a Petrobrás começou a operar no país. De lá para cá, as gestões políticas visam proteger os investimentos da maior empresa brasileira. A Petrobrás é tão importante para a Bolívia que responde por 25% de sua arrecadação e 15% do seu PIB. Gera ingressos e empregos.

Mas os líderes oposicionistas vêem no Brasil, um país que ajudou o ex-presidente Sanchez de Lozada exilar-se num condomínio de luxo em Miami, com uma aposentadoria de fazer inveja a qualquer ganhador da Mega-Sena. Eles querem julgá-lo em La Paz, mas entendem que os governos da região não pretendem ajudar nesse sentido.

Não é apenas a Lei de Hidrocarbonetos que instabiliza a política no país. Há fome e desemprego. Muitos comparam a Bolívia com o Haiti, o que é um certo exagero, mas pode converter-se numa realidade em breve.

O Brasil também perdoou uma dívida boliviana com o país, está construindo uma ponte que vai ligar o Acre à Bolívia e possui linhas de financiamento do BNDES para obras de infra-estrutura no país.
São medidas concretas que visam mudar a imagem do Brasil naquele país e permitir que os bolivianos percebam mudanças estruturais concretas.

O assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, já disse que os projetos para a construção de um pólo químico para o país, dará aos bolivianos a capacidade de desenvolver-se.
O problema imediato para a Bolívia chama-se credibilidade.

O país precisa de investimentos estrangeiros, mas há receios de que esses investimentos não cheguem por conta da forte oposição ao governo e da falta de garantias legais.

A própria Petrobrás está preocupada. Sabe que a nova lei sobre exploração de gás pode provocar prejuízos irrecuperáveis. A empresa investiu US$ 1,6 bilhão nestes últimos dez anos. Para o Brasil, a crise é prejudicial não apenas para o país, mas para toda a região. Também soa como um balde de água fria nos esforços pela integração sul-americana, pregado pelo presidente Lula.

Lula ainda é o representante da esquerda latino-americana, mas uma esquerda que tenta resolver os problemas internos e atrair credibilidade internacional.

Há uma outra esquerda que atua na Bolívia e nos demais países sul-americano. É uma esquerda nacionalista, que pretende ver seus recursos naturais gerando riquezas para os seus povos.
Os políticos bolivianos, a exemplo do que ocorreu na Argentina, não se entendem.

Eles querem que o governo taxe em 50% o faturamento das empresas estrangeiras no país, o que poderia provocar a saída das multinacionais da Bolívia.

O país também corre risco no Mercosul, que pretende reduzir as barreiras tarifárias entre os países da região. Em 2004, a Bolívia chegou a crescer 3,6%, mas a instabilidade e as incertezas jurídicas devem provocar um retrocesso econômico.

Segundo especialistas em energia, o gás e a indústria petroquímica representam 2% do Produto Interno Bruto boliviano. Pelo menos 82 contratos já assinados entre a Bolívia e empresas multinacionais de vários países seriam atingidos pelas novas regras.

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