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Milionários e pobres venezuelanos elegem a Espanha como refúgio

Marcelo Rech, especial de Madri – 

Com uma crise que não tem data para acabar e que tampouco deve terminar pelas vias pacíficas, milhares de venezuelanos têm abandonado o país. Os que não têm recursos tratam de refugiar-se no Brasil e Colômbia, que estão próximos e se mostram acolhedores.

Aqueles que têm recursos, buscam destinos mais sofisticados e seguros. Desta forma, Madri tem sido para os venezuelanos o que Miami já fora para os cubanos. Praticamente no mesmo instante em que a Espanha decidiu retirar os seus investimentos da Venezuela, os venezuelanos ricos aplicavam no país dólares e euros.

O bairro de Salamanca, um dos mais exclusivos de Madri, tem recebido fortes aportes venezuelanos. Os milionários que abandonaram de vez Caracas investem em edifícios clássicos que possuem grande poder de revenda. Pelo menos 7 mil imóveis na região foram adquiridos por venezuelanos.

Alfredo Cohen, líder do Grupo Cohen, inaugurou em março de 2017, um centro comercial em Leganés no qual investiu cerca de 60 milhões de euros. Miguel Ángel Capriles, parente do líder opositor Henrique Capriles, comprou de uma vez, uma série de edifícios em quatro das mais valorizadas zonas da capital espanhola.

Grande parte desses empresários foi retirando aos poucos o dinheiro da Venezuela ante a insegurança jurídica gerada pelo regime chavista. Em um primeiro momento, o destino era os Estados Unidos, mas os venezuelanos foram atraídos pela Lei de Empreendedores, de 2013, impulsionada pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy.

No entanto, os ricos venezuelanos pedem discrição total. Não querem publicidade e temem serem vistos como frívolos pelos cerca de 80 mil compatriotas que vivem na Espanha (em 2016, eram pouco mais de 49 mil). Sim, a Espanha também é refúgio para os mais carentes que buscam melhorar de vida.

Por outro lado, se o dinheiro e os investimentos são muito bem-vindos, os venezuelanos ainda são vítimas de preconceito. Basta mostrar o passaporte para que as coisas se tornem mais difíceis, para os ricos e para os pobres. Os ricos, principalmente, pois um grande número deles fez fortuna a raiz dos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Madri também acolhe o ex-prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, que fugiu de prisão domiciliar em 2017.

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