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Diplomacia

O Ensino das Relações Internacionais no Brasil

Luiz Paulo Bellini

O tema “Relações Internacionais” [RI], a cada ano, está mais em pauta na mídia brasileira. Seja pela guerra ou pelo pós-guerra no Iraque, pelo crescimento do comércio exterior brasileiro, pela maior participação do Brasil nas atividades políticas internacionais, pelo aumento no interesse em eventos internacionais, pela entrada em vigor de grandes acordos como o Protocolo do Kyoto etc.

Dentro das RI, uma área que tem recebido atenção especial é a educação direcionada à globalização. O número de cursos de graduação em Relações Internacionais – que objetiva formar profissionais multidisciplinares, com profundo conhecimento do ambiente internacional – cresceu em progressão geométrica nos últimos 5 anos. Fato é que com tantos cursos novos, as instituições privadas e as públicas investem para criar o diferencial do seu curso de RI.

Alguns exemplos. Na Universidade de São Paulo [USP] o aluno tem a opção de escolher uma das quatro áreas de concentração que quer seguir a partir do terceiro ano, ciência política, economia, direito ou história. Ainda em São Paulo, na Fundação Armando Alvares Penteado [FAAP] o graduando já sabe que sua área é a economia internacional, pois desde o primeiro ano o curso possui um intensivo número de matérias de economia, negócios e gestão.

O mesmo ocorre na Universidade Anhembi-Morumbi, mas o diferencial é o laboratório para a prática de negociações internacionais. A mais recente universidade a inaugurar o curso de RI é a Universidade São Marcos, a qual optou por uma estratégia diferente, montar um grade para capacitar o graduando a entrar no desejado Instituto Rio Branco – única instituição autorizada a formar diplomatas.

No sul do Brasil, em Florianópolis, o curso de RI da Unisul objetiva formar o negociador internacional e para isso dá ênfase na língua inglesa, fazendo o aluno comprovar a suficiência no idioma para se graduar; além de exigir outro idioma básico.

Na Universidade Católica de Goiás [UCG], o bacharel em RI recebe forte influência das ciências políticas, sendo este o foco de sua formação, principalmente por passar pelo Centro de Simulações da escola. Na Universidade de Brasília [UnB], instituição que possui o curso de RI a mais tempo, desde os anos 70, o graduando é direcionado para atuar em instituições públicas, principalmente no Itamaraty.

Esses são apenas alguns exemplos para mostrar que, embora o número de universidades ou faculdades que oferecem o curso de RI tem crescido, cada curso tem sua particularidade com o objetivo de criar diferencial no mercado. Isso faz com que o pretendente ao curso relações internacionais necessite se informar sobre a faculdade de seu interesse e refletir a respeito dos seus objetivos particulares.

Para as faculdades, o importante, antes da criação do curso de RI, é analisar o desenvolvimento das Relações Internacionais no Brasil e observar o comportamento das empresas ou organizações que estão absorvendo os profissionais da área.

Para aquelas que já oferecem o curso é necessário verificar se o foco do seu ensino é adequado com o interesse da sociedade ao seu redor; e desta com o mundo. Em suma, é verificar o andamento dos postos de trabalho existentes e os que estão surgindo.

Luiz Paulo Bellini é bacharel em relações internacionais, assessor direto da presidência internacional da Gazeta Mercantil, consultor de projetos da Editora JB e sócio do Portal MundoRI.com [luizbellini@mundori.com].

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