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Países do BRICS irão compartilhar dados de satélites de sensoriamento remoto

Os países dos BRICS buscam maior integração no setor espacial por meio do compartilhamento e uso de dados de satélites de sensoriamento remoto. A proposta começou a ser discutida nesta segunda-feira, 18, em Brasília, durante o 1º Fórum da Constelação de Satélites dos BRICS, que reuniu representantes das agências espaciais de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

A ideia é que as nações coloquem à disposição os dados obtidos por satélites de observação da Terra já em operação e por aqueles que serão lançados ao espaço no futuro. A primeira proposta apresentada pelas agências espaciais indica que até seis equipamentos podem ficar à disposição do grupo.

O Brasil contribuirá com informações fornecidas pelo Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS, na sigla em inglês) 4A, desenvolvido em parceria com a China. Rússia e China poderão disponibilizar dois equipamentos cada, enquanto a Índia vai compartilhar um satélite. Já a África do Sul vai contribuir com o fornecimento de um centro de controle e uma estação terrestre de recepção de dados e de telemetria.

“Discutimos o que os satélites que estamos oferecendo para constituir essa constelação podem fazer em benefício de todos, conjuntamente. Primeiro, temos que ter um objeto que seja de mútuo interesse e trabalhar juntos. As informações seriam compartilhadas entre esses cinco países”, destacou o presidente da AEB, José Raimundo Braga Coelho.

O encontro em Brasília é resultado da 9ª Reunião de Cúpula dos BRICS, realizada no início do mês, em Xiamen (China). Lá, os presidentes dos cinco países assinaram um protocolo de ações, que coloca as atividades espaciais como ponto focal para a cooperação entre as nações.

Além do compartilhamento, os BRICS avaliam a construção de uma política conjunta de desenvolvimento de satélites de observação da Terra. Um acordo multilateral já está em discussão. “Por enquanto, não estamos dividindo a responsabilidade pelo desenvolvimento de satélites, a não ser o CBERS, que é feito com os chineses. Mas, no momento em que este acordo for assinado, vamos tentar elevar a função dessa constelação para o ambiente dos Brics como países, como parte das reuniões de cúpula entre os países. Aí, a responsabilidade vai passar das agências espaciais para os Estados nacionais”, afirmou Braga Coelho.

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