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Península Coreana: a calma antes da tempestade

Marcelo Rech – 

No dia 14, publiquei artigo sobre a Trégua Olímpica, tradição que vem dos gregos e que, pouco a pouco, tem sido resgatada nos grandes eventos esportivos. Pois bem, ao que parece, a mesma tem sido respeitada nos jogos de PyongChang. Pela primeira vez desde dezembro de 2015, Seul e Pyongyang sentaram-se à mesa e expressaram o desejo comum em avançar na agenda de cooperação em temas de segurança.

Sem dúvidas, o gesto norte-coreano de enviar uma expressiva delegação de atletas, jornalistas, e até um conjunto musical, para os jogos no país vizinho, contribuíram para o distensionamento das relações. Atletas do Sul e do Norte também participaram juntos, de diversos eventos prévios aos jogos.

A decisão de Kim Jong-un foi saudada internacionalmente, no entanto, apenas a vontade política dos líderes das duas coreias não é suficiente para pôr fim à crise na Península. Lamentavelmente, o principal “gendarme” mundial, os Estados Unidos, não se entusiasmaram e parecem desinteressados na estabilidade regional.

No entanto, ao invés de trabalhar pelo fortalecimento de um diálogo construtivo que permita alcançar um acordo em torno do Programa Nuclear norte-coreano, a administração Trump decidiu ignorar o simbolismo do momento e concentrar-se nas pressões econômica e política.

No dia 24 de janeiro, Washington expediu uma nova lista de sanções contra a Coreia do Norte. Em Davos, o presidente dos Estados Unidos afirmou que “a administração norte-americana une todas as nações civilizadas contra o regime brutal da Coreia do Norte”. Além disso, sob o pretexto de oferecer segurança e proteção contra a “ameaça nuclear norte-coreana”, o Pentágono aumentou significativamente a sua presença militar naquela região e tem conduzido exercícios militares que podem ser encarados como “provocação”.

Mesmo o adiamento das manobras conjuntas entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul – Foal Eagle – para depois dos Jogos Paraolímpicos de Inverno, não convencem. O cenário é de mais pressão por parte da Casa Branca, inclusive por conta das negociações em torno da possível unificação entre as duas coreias.

Pyongyang também mantém suas condições para que haja avanço no diálogo com a vizinha: que haja interrupção da cooperação entre Seul e Washington, algo que os Estados Unidos jamais aceitarão, pois isso representa perder as condições jurídicas para mover tropas na região, além de um aliado estratégico ímpar.

Marcelo Rech é jornalista, diretor do InfoRel, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contrainsurgência e o Impacto dos Direitos Humanos nos Conflitos Armados. E-mail: inforel@inforel.org.

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