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Plano de Ação CELAC – China pode não sair do papel

Marcelo Rech, especial de Santiago, Chile

O Plano de Ação de Cooperação CELAC – China para o período 2019 – 2021, foi aprovado durante a II Reunião de Chanceleres dos países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos com o país asiático, realizada entre os dias 19 e 22 de janeiro, na capital chilena. Apesar do entusiasmo com o documento de 13 páginas que reforça o elo entre as duas regiões, a proposta pode não sair do papel. É que a CELAC não conseguiu chegar a um acordo interno e o bloco ficará sem uma presidência pro tempore em 2018. Em 2017, a PPT ficou com El Salvador e em 2019, deverá ser entregue a Bolívia.

Representantes de 31 países participaram do evento, mas as ausências de Aloysio Nunes Ferreira, do Brasil; María Ángela Holguín, da Colômbia; e Jorge Faurie, da Argentina, também foram sentidas. Esses três países são considerados fundamentais para que a CELAC funcione plenamente.

O chanceler de El Salvador, país que exercia o posto desde janeiro de 2017, Hugo Martínez, disse ao InfoRel que, “apesar disso, a CELAC vai por bom caminho. Aprofundamos o relacionamento com a China que é um parceiro estratégico e retomamos a agenda com a União Europeia. Ainda que existam temas divergentes, imperou o clima do entendimento”, afirmou.

Após muitas discussões, os chanceleres dos países da CELAC decidiram apresentar à União Europeia uma proposta de reunião de ministros de Relações Exteriores para os dias 21 e 22 de abril, em Bruxelas. Por conta da crise venezuelana, a Cúpula Presidencial que deveria ter sido realizada em outubro passado em El Salvador acabou cancelada.

“Sempre teremos desafios, mas o maior de todos é buscarmos a unidade em um ambiente de diversidade”, assinalou Martínez. “Estamos muito satisfeitos, o Fórum de Cooperação CELAC – China mostrou que coincidimos em vários temas como livre comércio, multilateralismo e mudanças climáticas. Também traçamos um Plano de Ação para a implementação de medidas concretas e fortalecemos o entendimento político entre a CELAC e a China”, explicou.

Já o ministro de Relações Exteriores do Chile, Heraldo Muñoz, classificou o encontro como “muito produtivo” uma vez que três documentos foram aprovados. “Reafirmamos durante essas reuniões uma vocação profunda pelo multilateralismo, pese às incertezas e instabilidades que vivemos”, destacou.

O primeiro deles é a Declaração de Santiago onde estão pontuados os principais consensos acordados. O segundo é o Plano de Ação, texto que Heraldo Muñoz pontuou como “muito importante porque há temas específicos para abordar e para aproveitar as oportunidades que nos oferece esta reunião birregional”. Já o terceiro, diz respeito à uma Declaração Especial sobre “Uma Rota, Uma Faixa”, iniciativa apresentada pela China em 2013. A maioria dos países da CELAC entendeu que a pretensão chinesa de fazer deste o tema principal da reunião, não se aplicava.

Para o chanceler chileno, é preciso destacar que os países da CELAC reconhecem a diversidade existente, “mas coincidimos em que os problemas e desafios somente podem ser resolvidos se trabalharmos em conjunto. Nenhum país isolado, por mais forte que seja, conseguirá superar os obstáculos sozinho”, assegurou.

Na avaliação dos ministros de Relações Exteriores e representantes dos países da CELAC, o encontro concluiu com uma mensagem categórica de rechaço ao protecionismo e unilateralismo e em defesa da abertura, do diálogo e da cooperação.

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