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23/03/2005
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26/03/2005

Segurança Regional

PT rebate críticas dos Estados Unidos à Venezuela

O Partido dos Trabalhadores mantém uma das mais intensas relações políticas com a esquerda latino-americana, desde os tempos em que o professor Marco Aurélio Garcia respondia pela Secretaria de Relações Internacionais do partido, cargo que já foi ocupado pelo deputado Paulo Delgado [MG] e que hoje é responsabilidade de Paulo Ferreira.

Essas relações ganharam peso político com a criação do Foro de São Paulo, no início da década de 1990. Foi na capital paulista que o PT reuniu tudo o que representava a esquerda na América Latina. Desde partidos políticos até grupos guerrilheiros como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia [Farc].

O objetivo sempre foi estreitar as relações daquele que é um dos maiores partidos políticos de esquerda da região, com seus homônimos na vizinhança. Daí surgiu o Fórum Social Mundial, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou não passar de uma feira ideológica, mas que reuniu em sua última edição, em Porto Alegre, no início deste ano, cerca de 150 mil pessoas e teve no presidente da Venezuela, Hugo Chávez, sua maior estrela.

E tem sido a Venezuela, o país que mais preocupa os Estados Unidos, o que ficou patente durante a visita relâmpago de Donald Rumsfeld, o Secretário de Defesa norte-americano, por Brasília e Manaus. Ele colocou em dúvida a necessidade do país comprar 100 mil fuzis AK-47, da Rússia.

O governo brasileiro preferiu manter o silêncio e evitar a polêmica, mas o Secretário de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores, Paulo Ferreira, não poupou críticas ao dirigente norte-americano.

Segundo ele, “a declaração [de Rumsfeld] não contribui para um processo de estabilização das relações dos Estados Unidos com a América Latina. É de uma mentalidade que, infelizmente, ainda está presente no estado americano, que considera a América Latina uma extensão de seu território”. Suas afirmações foram publicadas na página do partido na Internet.

Paulo Ferreira repetiu as palavras do ministro José Alencar, que reafirmou a posição brasileira pela autodeterminação dos povos. Para Ferreira, a posição do PT é praticamente a mesma do governo. “Ele [Rumsfeld] fez uma manifestação com a qual não temos acordo”, afirmou.

Donald Rumsfeld não acredita que a compra de 100 mil fuzis pelo governo da Venezuela, vai contribuir para a estabilidade política na região, mas evitou criticar o Brasil e a Espanha que também estão vendendo armamentos para o governo de Chávez, O Brasil negocia a venda de 24 aviões Super Tucano, de combate e o caça AMX, e a Espanha deve fechar a venda de corvetas à Marinha venezuelana.

“Não cabe essa reprimenda. Os Estados Unidos há muitos anos consideram os países da América Latina como países dentro de sua órbita. Só que a realidade mudou. Vivemos um novo ciclo, com novos governos que têm concepções de integração regional e de autodeterminação”, explicou Paulo Ferreira.

Ele lembrou que os países latino-americanos precisam desenvolver sistemas e mecanismos de segurança como o SIPAM/SIVAM, visitados pelo Secretário de Defesa dos Estados Unidos.

“Não foi à toa que, na época da implantação do SIVAM no Brasil, os Estados Unidos foram contra. Para eles, esse sistema de segurança significa um controle maior do Brasil sobre a Amazônia, uma maior presença nossa na região”, concluiu Ferreira.

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