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Política

Reforma Ministerial passa por eleições de 2006

Embora o governo insista em avisar que as eleições de 206 não está na Ordem do Dia, a reforma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende anunciar até o final desta semana, tem por objetivo, tornar o governo mais forte e consistente. Da mesma forma, valorizar aliados nas disputas pelos governos estaduais e cargos legislativos nas eleições do ano que vem.

O presidente estaria com a reforma emperrada justamente por conta desse imbróglio. O deputado João Paulo Cunha só tem condições de assumir o posto de Aldo Rebelo, na Coordenação Política, se aceitar ficar de fora da disputa pelo governo de São Paulo.

Aloizio Mercadante, que sempre defendeu a permanência de Rebelo no cargo, mudou de opinião ao vislumbrar que a saída lhe seria favorável, uma vez que é pré-candidato ao governo paulista com o apoio de Lula e José Dirceu. Rebelo perdeu um aliado e sua demissão consolidou-se.

A possibilidade do ministro emplacar na Defesa, no lugar do vice-presidente José Alencar, pode ficar para o futuro. Ao contrário dos demais auxiliares, Lula não demitirá Alencar, que vai disputar o governo de Minas Gerais. Só fará a troca se o ministro quiser. Mas, em abril, Alencar terá de deixar o ministério da Defesa, oportunidade em que Aldo Rebelo poderia ser reaproveitado.

Ex-líder do governo na Câmara, ele também pode retomar o cargo do deputado Professor Luizinho, avaliado como inexpressivo no Planalto. O problema é se Aldo Rebelo vai ou não aceitar o cargo. O que é certo é que ele não se sente á vontade para assumir o ministério do Trabalho no lugar de Ricardo Berzoini.

O PCdoB é contra as reformas sindical e trabalhista e Aldo, sabotado e fritado pelos petistas, os teria novamente nos calcanhares. Politicamente, seria melhor retornar à Câmara para enriquecer o elenco em tempos de baixo clero dominante.

Rebelo prefere a Defesa, mas vai manter sua postura discreta e não pretende cobrar o cargo do presidente. O seu partido é que pode ficar sem ministério com a demissão também cotada, do ministro Agnelo Queiroz, do Esporte.

O próprio Lula pensa em si mesmo quando trata da reforma. Ele quer fazer uma jogada de mestre que lhe permita disputar a reeleição em condições de bater qualquer adversário. Ele sonha com a aliança PT – PMDB, mas o deputado Michel Temer adverte: na tumultuada convenção do partido, os peemedebistas decidiram que teriam candidatura própria em 2006.

O que está certo nesse emaranhado de especulações, traições e sabotagens é que José Dirceu recuperou definitivamente o poder político e é o principal operador do governo com os partidos e seus líderes. Também é definitivo afirmar que as opiniões de Antonio Palocci estão pesando fortemente.

O PT vai perder cargos. Dois no máximo afirmam fontes do Planalto. Para os parlamentares que integram a virtual base governista, é muito pouco para se formar um governo de coalizão como quer e necessita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao que tudo indica, Olívio Dutra soube manobrar as forças políticas do Rio Grande do Sul e deve ficar. O problema é que em abril, pode deixar o governo para disputar o governo gaúcho. Isso significa que Lula tem uma regra, mas as exceções tendem ser maiores

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