PT – Farc
06/04/2005
Defesa Nacional
06/04/2005

Cooperação Espacial

Ucranianos temem pelo futuro do acordo espacial com o Brasil

Nesta quarta-feira, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, realizou audiência pública para saber as razões para o atraso de mais de um ano, na implementação do acordo espacial com a Ucrânia.

Segundo o presidente da Agência Espacial Brasileira [AEB], Sérgio Gaudenzi, falta apenas à indicação pelo Brasil, da empresa que irá compor com os ucranianos, a empresa binacional que irá administrar os lançamentos de satélites. Tudo leva a crer que essa empresa será a Infraero.

No entanto, ficou claro que os ucranianos não escondem a irritação e impaciência com os atrasos. As obras de infra-estrutura em Alcântara sequer foram iniciadas. Autoridades da Ucrânia, já enviaram cartas aos ministros da Ciência e Tecnologia e da Defesa, questionando as dificuldades do Brasil para implementar o acordo.

O diretor internacional da Agência Espacial da Ucrânia, Olexander Serdyuk, afirmou que o acordo é bom para os dois países e que o seu país, apesar de não possuir um centro de lançamentos de foguetes, detém tecnologia missilística reconhecida internacionalmente.

Ele assegurou que a transferência de tecnologia, apesar de não estar explícita no acordo, será garantida aos técnicos brasileiros.
Para o deputado André Costa [PT-RJ], diplomata de carreira e que servia em Kiev à época das tratativas, o cronograma para o primeiro lançamento, previsto para dezembro de 2006, já está comprometido.

Serdyuk reclamou da pouca comunicação entre ucranianos e brasileiros. Gaudenzi explicou que a impaciência dos ucranianos não se justifica.
Para a criação da empresa binacional é necessária a aprovação do estatuto da Joint Venture Company, que já foi elaborado por técnicos brasileiros e ucranianos.

Indicada a empresa brasileira, o estatuto será encaminhado para apreciação do Congresso. Segundo Sérgio Gaudenzi, “vamos cumprir os passos para a implementação dos termos do acordo. Temos muito a ganhar com a Ucrânia, como também com outros países que planejem utilizar Alcântara para seus lançamentos”.

Nos próximos dias, a AEB lançará o edital para a realização das obras de infra-estrutura em Alcântara. Os recursos já estariam assegurados no orçamento. Ele disse ainda que o Conselho Superior da Agência aprovou o regulamento de segurança de lançamento de veículos espaciais.

Ele explicou que os riscos na utilização da hidrazina, combustível do foguete ucraniano, praticamente não existem. A hidrazina é utilizada por todas os países que desenvolvem programas espaciais no mundo, como a Rússia, Ucrânia, China e Índia.

Além do presidente da AEB, Sérgio Gaudenzi, participaram da audiência, o embaixador da Ucrânia no Brasil, Iuri Bogaievsky; o diretor do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento do Comando da Aeronáutica, Brigadeiro Sérgio Pedro Bambini; o representante da Infraero, Leur Lomanto; e a chefe da Divisão do Mar, da Antártida e do Espaço do Ministério das Relações Exteriores, conselheira Maria Teresa Pessoa.

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