Em breve, o Brasil deverá mudar o seu Embaixador em Buenos Aires. Sairá o atual, Sérgio Danese, e entrará Reinaldo Salgado, atual Secretário de Negociações Bilaterais na Ásia, Pacífico e Rússia. A Argentina também tem novo Embaixador, Daniel Scioli, que foi vice-presidente na gestão de Nestor Kirchner.

De acordo com Danese, o início da gestão de Fernández foi marcado por um ensaio de recriação de um “eixo progressista” na América Latina, tendo o México e o “Grupo de Puebla” como pilares. Com esse objetivo, e ainda como presidente eleito, Fernández encontrou-se com López Obrador, na Cidade do México, e inaugurou encontro do “Grupo de Puebla” em Buenos Aires.

Mais recentemente, no contexto da crise gerada pela pandemia de coronavírus, Fernández voltou a participar, de forma virtual, de encontros do grupo, consolidando-se como sua figura de maior relevância em termos contextuais (é o único mandatário em exercício no grupo).

“Na vertente pragmática, um dos objetivos iniciais de Fernández foi enviar sinais de distensão a países que mantiveram relações conflituosas com o kirchnerismo. Com Israel, por exemplo, o mandatário arrefeceu tensões ao escolher Jerusalém como destino de sua primeira visita bilateral. Em outra frente, costurou uma turnê europeia que lhe permitiu obter o endosso retórico de líderes de Itália, Alemanha, Espanha e França, além do papa Francisco, ao complexo processo de renegociação da dívida argentina contraída junto ao FMI”, destaca o diplomata.

Já no relacionamento com os Estados Unidos, gestos como a decisão de manter a Argentina no Grupo de Lima foram recebidos positivamente por Washington. “Atos subsequentes, entretanto, como a presença de ministro do governo ilegítimo de Nicolás Maduro na cerimônia de posse de Fernández, o descredenciamento da embaixadora do governo interino de Juan Guaidó em Buenos Aires e a concessão de asilo ao ex-presidente Evo Morales afetaram as relações bilaterais, ora em compasso de espera”, observa Danese.

Na sua avaliação, a sensível mudança da agenda externa da Argentina sob Alberto Fernández provocou, com o governo brasileiro, dissintonias cujo alcance ainda não está definido em razão das incertezas e mudanças de foco e prioridades trazidos pela crise do COVID-19.

Marcelo Rech – 22/07/2020