O Comitê Central do Partido Comunista da China, partido que governa a China
desde 1949, se reuniu em quatro dias de conclave, em outubro, para definir as
linhas gerais dos próximos cinco anos de seu planejamento, conhecido como
“Pleno”, com foco maior em temas econômicos e sociais.
Desde o XVIII Congresso do Partido, em 2012, Xi Jiping vem elegendo como
elementos fundamentais para seu governo a concentração de poderes e a luta
contra a corrupção.
Vários académicos consideram que, valendo-se da atuação contra a corrupção,
Xi Jinping garante a eliminação de potenciais adversários e garante um
aumento do controle sobre o Partido.
Recordemos que a campanha anticorrupção eliminou da cena política chinesa
o ex-titular da pasta da segurança – Zhou Yongkang; e Ling Jihua, braço direito
do antigo presidente Hu Jintao. Ambos foram condenados à prisão perpétua.
Da agenda deste ano, para o período entre 2021 a 2025 (14º Plano
Quinquenal), constaram avaliações de documentos sobre política interna para
o Partido e sobre novas regulações e supervisões.
Alguns analistas entenderam que foi uma agenda para consolidar o poder de Xi
Jiping, não deixando dúvidas sobre a sua permanência como Secretário-Geral
do Partido Comunista. Lembremo-nos que, em 2017, fora tirado da
Constituição chinesa o limite de dois mandatos.
As metas quantitativas só devem ser anunciadas quando o plano quinquenal
for aprovado na reunião do Congresso do Partido, no início de 2021, mas se
tem como certo um crescimento anual mais moderado do que os 6,5%
anunciados em 2016 para a economia.
Em 2020, pela primeira vez, desde 2002, o governo não cumprirá a meta de
6,5 %, ficando o crescimento anual do seu Produto Interno Bruto (PIB) em

torno de 5%, devido à Covid-19, que vem impactando o emprego, a inflação e o
déficit fiscal em todo o mundo. mas também às incertezas decorrentes da
guerra comercial com os EUA.
O objetivo do novo Plano permanece igual ao formulado em 2015: transformar
a China em uma sociedade moderadamente próspera, reduzindo as suas
desigualdades.
A estratégia para este amplo objetivo passa pela integração da China à
economia globalizada e ao incentivo ao consumo interno, com atenção também
à busca de independência tecnológica.
Deste conclave também constou, mais uma vez, o tema da incorporação total
de Taiwan à China, desta feita em tentativa de o ser de forma pacífica…
Após o conclave, o Comitê Central do Partido Comunista comunicou que a
China almeja um desenvolvimento econômico sustentado e saudável nos
próximos cinco anos, com ênfase em um crescimento de mais qualidade.
Em síntese, o novo Plano quinquenal não traz alterações significativas,
continuando, um pouco mais moderadamente, a perseguir seu posicionamento
como maior economia global e com grandes investimentos em inovação
tecnológica.