Na última semana de trabalho antes do recesso parlamentar, o Congresso Nacional aprovou a elevação do Fundo Partidário de R$ 2 bilhões para pornográficos R$ 5,7 bilhões, com o apoio de todos os partidos. Isso mesmo. Quando o assunto é pilhar o seu bolso, não há esquerda e direita, todos são um só.

Em 2019, este mesmo Congresso aprovou o Fundo de R$ 2 bilhões, alguns consideraram um absurdo, mas ninguém devolveu dinheiro para o Tesouro. Portanto, não acredite naqueles que disseram ser contra.

A decisão do Congresso tem provocado debates que poderiam ser muito mais acalorados se aqueles que saem às ruas quisessem realmente um país diferente. Por isso, não me iludo com marchas e passeatas. O que defendem diz respeito aos seus projetos, não ao país.

Fosse o Brasil um país sério, sequer existiria Fundo Partidário, um recurso astronômico de dinheiro público que deixa de ser aplicado em saúde, educação, pesquisas, segurança, entre outros, para sustentar partidos políticos. Mas, acredite, os políticos ainda consideram pouco. Por isso, criaram, também, o Fundo Eleitoral, este dedicado a surrupiar dinheiro dos contribuintes, para as campanhas de suas excelências.

Isso significa que somos nós, o povo, os que trabalham e produzem riqueza, os que sustentam a maracutaia. O sujeito decide ser político e somos nós, que não temos nadica de nada com isso, que pagamos a conta. Outro monta um partido e a sociedade banca, mesmo que não produzam nada para o país.

Bom, daí veem os “especialistas” explicarem que sem o financiamento público, será preciso voltar com o financiamento privado, onde as empresas destinam recursos para partidos e candidatos que, depois de eleitos, devolvem tudinho na forma de contratos superfaturados.

Na verdade, nem uma coisa nem outra. A sociedade não tem que ser responsável pelas decisões que meia dúzia de expertos tomam. Que os partidos e as campanhas sejam sustentados com os recursos de seus militantes e simpatizantes. Se alguém acredita (?) em um partido, pois que ponha do seu bolso. Cada um sabe o que faz com o resultado dos seus esforços.

Já temos partidos que cobram uma porcentagem dos salários daqueles que servem nas prefeituras ou governos por eles comandados. Há partidos que têm até mesmo tabelas para garfar institucionalmente seus correligionários. Se o sujeito é senador, paga tanto; se é deputado, outro tanto. Até mesmo o faz-tudo que ganha salário mínimo, é taxado na fonte, tamanha a sanha por dinheiro.

Temos, ainda, aqueles que também comercializam produtos da sigla. Especialmente os que demonizam o capitalismo. Esses são mestres. De qualquer forma, essa parece ser a alternativa menos danosa, pois ninguém é obrigado a comprar camisas e bandeiras estampadas com a cara de mentirosos e tiranos.

Quando, no Brasil, puseram fim ao tal imposto sindical, demos um salto qualitativo. Deixamos de financiar a casta de sindicatos que só trabalham em nome de um projeto político. Agora, é momento de a sociedade reagir e cobrar o fim desses fundos todos e que cada um se vire. Como, aliás, fazem a esmagadora maioria do povo trabalhador brasileiro.