De acordo com a Consultoria TF Agroeconômica, as exportações argentinas de milho para o Brasil cresceram mais de 900% no primeiro semestre do ano. “O Brasil, que normalmente disputa com a Argentina o segundo degrau do pódio dos principais exportadores de milho, atrás da liderança dos EUA, vive hoje um período complicado devido às condições climáticas adversas para sua segunda safra – a mais importante em volume”, aponta o estudo realizado pela empresa e que justificaria essa situação.

Na avaliação dos analistas da TF Agroeconômica, o clima vem atrapalhando desde o início da semeadura até a colheita que, está acontecendo nesse momento com variações entre estiagem, momentos de chuvas excessivas e até geadas, que cortam bruscamente as estimativas do volume que finalmente será levantado.

“Essa situação, que afeta as expectativas de exportação e eleva os preços dos cereais no mercado interno, possibilitou um crescente interesse das importações, para tentar mitigar o impacto desses aumentos internos”, revela o documento elaborado pela consultoria.

Nesse contexto, a Argentina é o fornecedor que está aproveitando a chance de colocar mais milho no Brasil. Segundo dados publicados pela Subsecretaria de Mercados Agropecuários do Ministério da Agricultura do país vizinho, no primeiro semestre do ano as exportações de milho para o Brasil somaram 332.222 toneladas.

Isso representou um aumento de impressionantes 906,7% sobre as 33 mil toneladas embarcadas no mesmo segmento em 2020, o ano que terminou com embarques para os portos brasileiros por 58.150 toneladas. Os dados atuais também são bem superiores às 86.574 toneladas exportadas no primeiro semestre de 2019 e às 64.017 toneladas de 2018, como um cenário mais próximo.

Esses números mostram, também, que divergências entre presidentes não são suficientes para que relações bilaterais sejam comprometidas.