Brasília – Na quinta-feira, 8, o ministro da Economia, Paulo Guedes, aceitou as pressões do governo argentino e topou reduzir em apenas 10% a Tarifa Externa do MERCOSUL. Na tarde daquele dia, ele reuniu-se com o novo ministro das Relações Exteriores da Argentina, Santiago Cafiero que já havia conversado com o chanceler Carlos França.

Guedes destacou a convergência das negociações para o estabelecimento de dois importantes acordos de cooperação na área internacional: consenso com a Argentina, para em conjunto com os demais sócios do MERCOSUL, reduzir em 10% a Tarifa Externa Comum (TEC), e a participação do Brasil no acordo global de tributação firmado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Na reunião também foram discutidos importantes temas das agendas bilateral e regional entre os países no contexto do MERCOSUL. No entanto, a agenda foi marcada mesmo, pelo avanço nas negociações para a redução da TEC do MERCOSUL. Recentemente, Guedes havia dito que era melhor a Argentina deixar o bloco, caso não aceitasse rever a TEC.

Para o ministro brasileiro, a TEC deveria ser reduzida ainda mais, mas ele preferiu ceder entendendo que a Argentina vive situação delicada. Ao comentar os resultados da reunião, o ministro focou no consenso entre o Brasil e Argentina para reduzir em 10% a tarifa, cobrindo cerca de 87% do universo de linhas tarifárias do bloco.

Desta forma, ficarão de fora do corte tarifário os regimes especiais do bloco, compreendendo setores como têxteis, calçados, lácteos e parte do setor automotivo.  A proposta será imediatamente levada ao Uruguai e ao Paraguai, que já sinalizaram, em debates internos, suas intenções em modernizar a estrutura tarifária do bloco. A decisão final será publicada em reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC), no final do ano.

Vaca Muerta

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos França, afirmou que há um compromisso argentino com a modernização do MERCOSUL, com a redução das tarifas e a integração da infraestrutura energética entre os países. Segundo ele, o Brasil vai trabalhar para viabilizar o financiamento do projeto de gasoduto que liga as reservas de Vaca Muerta, na Argentina, ao Rio Grande do Sul, o que permitirá, segundo ele, um choque de energia mais barata.

Em outras palavras, o Brasil afinou para evitar que o MERCOSUL rachasse de vez. Foi preciso olhar mais à frente para entender que concessões são necessárias quando se trata do teu vizinho, na tua fronteira. Mesmo quando esse vizinho é governado por um arrogante cujo ídolo é um ex-presidiário.

Imagem: Enfoque MS