A União Europeia tem pressionado muito para que o Brasil se comprometa com metas mais ambiciosas em relação ao meio ambiente e que o país não se permita ficar na periferia da COP-26, que será realizada em Glasgow, na Escócia, no mês que vem. Muito boa em apontar o dedo, a UE só não aceita discutir quando o tema é sua arrogância e proteção a ditaduras.

No mês de novembro, também teremos um evento muito importante a realizar-se na América do Sul: as eleições municipais e regionais na Venezuela. Se tudo correr do jeito que a ditadura venezuelana impõe, o pleito será no dia 21. A UE, chefiada pelo ex-ministro socialista de Assuntos Exteriores, da Espanha, Josep Borrell, negociou o envio de uma missão de observadores.

Borrel assegura que a missão a ser encabeçada por eurodeputados socialistas, terá acesso nacional, assegurado pelo regime de Nicolás Maduro. No entanto, as negociações conduzidas pelo senhor Borrel com a ditadura venezuelana, deixou de lado a banda não podre da oposição.

A principal contestação diz respeito justamente ao fato de abrir-se uma negociação com um regime autoritário que controla o Conselho Eleitoral e o Poder Judiciário do país. Há anos que a postura europeia de apoio e suporte a ditaduras deixa clara a sua dupla personalidade.

Além disso, em conjunto com a União Europeia, está o governo socialista espanhol que, até a semana passada oferecia proteção ao ex-chefe do Serviço Secreto da Venezuela, o general Hugo Carvajal Barrios, pessoa que pode desnudar por completo as relações espúrias de vários governos de esquerda com o narcotráfico e como parte desse dinheiro financiou partidos na Europa e na América Latina.

Tão pródiga em apontar o dedo para as tragédias das ex-colônias, a União Europeia silencia quando membros do bloco também albergam com pompa e circunstância, ditadores que vilipendiaram seus países relegando seus povos à miséria e à corrupção, caso de José Eduardo dos Santos, de Angola, confortavelmente instalado em um dos bairros mais caros de Barcelona, ou sua filha, que desfila desde Londres por todas as capitais europeias sem ser importunada, apesar da imensidão de denúncias contra si e da fortuna depositada nos bancos europeus.

Estes são apenas dois módicos exemplos. Há muito mais. Ex-chefes das FARC da Colômbia, mantinham seus filhos em escolas caríssimas da Europa, pagas com dinheiro sujo e vidas colombianas. Próceres da ditadura cubana, desfilam no jet set europeu com suas máquinas caríssimas, protegidos pelos serviços secretos europeus. Por quê?  

A União Europeia paga de moralista junto com os demais países membros, tendo o Brasil atual como um de seus principais alvos, ao mesmo tempo em que segue rasgando elogios, benefícios e privilégios para ex-presidentes e autoridades corruptas brasileiras. O politicamente correto é descer a lenha no Brasil, mas no Brasil de Bolsonaro porque antes, éramos uma “Noruega”. É fato que as políticas ambientais do Brasil deixam muito a desejar, mas daí a acreditar que a Europa quer o melhor para os nossos ribeirinhos, nossos índios ou nossos botos cor-de-rosa é pedir para ser carimbado de imbecil e idiota. Da nossa Amazônia, as únicas coisas que interessam estão enterradas e a narrativa busca, agora, impedir que sejam exploradas pelo Brasil.

Imagem: EuroDicas