Criado em 3 de julho de 1990, o Foro de São Paulo congrega, atualmente, 123 partidos e movimentos políticos de 27 países, incluindo organizações narcoterroristas como as FARC e o ELN da Colômbia. No entanto, para muita gente, o Foro de São Paulo sempre foi uma miragem, obra de mentes criativas e parte de uma narrativa de preconceito ideológico.

No entanto, em outubro, a prisão na Espanha, de Hugo Carvajal, ex-chefe da Inteligência Militar venezuelana por mais de uma década, provou que o estigma que sempre pairou sobre esse agrupamento era tudo, menos uma miragem. O Foro nasceu por inspiração de Fidel Castro quando a União Soviética já respirava por aparelhos. O Muro de Berlim havia sido derrubado e a Cortina de Ferro era removida pelos ventos da mudança.

Castro e Lula encomendaram ao então professor Marco Aurélio Garcia, o desenho de uma organização capaz de reunir em torno de um único objetivo, as bandeiras da esquerda latino-americana. Garcia foi o grande ideólogo do Foro de São Paulo, organização que ganhou musculatura justamente nos anos em que a esquerda governou o Brasil e ele, Garcia, atuava como o chanceler de fato.

Fidel estava de olho em grana. Ele anteviu a ruída do bloco soviético, que sustentava a ditadura cubana. No entanto, o Foro de São Paulo veio para transformar a realidade regional e não pela via democrática que isso é coisa de gente que parou no tempo.

Em 1995, o Foro de São Paulo acolheu entre seus integrantes o desconhecido Movimento Revolucionário Bolivariano 200, fundado por Hugo Chávez, o coronel que em 1992 tentou um golpe de Estado clássico naquele país, foi preso e saiu em 1994 para, com as bençãos da ditadura cubana, chegar ao poder.

O Foro de São Paulo deu-lhe as condições e o meios e Chávez não deu as costas. Uma vez eleito presidente da Venezuela, irrigou os dólares do petróleo para a organização, sendo fundamental para a guinada à esquerda na região. Hugo Carvajal afirmou à Justiça espanhola, ter como provar que Chávez, com o dinheiro do petróleo venezuelano, financiou várias campanhas eleitorais na América do Sul.

Segundo ele, Néstor Kirchner e Cristina Kirchner, Argentina (21 voos – US$ 21 milhões), Evo Morales, Bolívia, Gustavo Petro, Colômbia, Lula, Brasil, Fernando Lugo, Paraguai, Ollanta Humala, Peru, Manuel Zelaya, Honduras, Movimento italiano Cinco Estrellas e o Partido Unidas Podemos, da Espanha, foram os beneficiados diretos.

O dinheiro saia da Venezuela por mala diplomática que não pode, de acordo com a Convenção de Viena, de 1961, ser inspecionadas ou abertas pelas alfândegas. E, nas embaixadas da Venezuela nesses países, era entregue para os emissários dos candidatos, sempre com o conhecimento deles.

Chama a atenção o desinteresse geral em abrir investigações, nestes países, acerca de tais denúncias. A região lida, neste momento, com um processo de desestabilização que conta com recursos humanos e econômicos do Foro de São Paulo e de sua nova marca, o Grupo de Puebla. Ainda assim, há uma indiferença suspeita no ar, como se nada disso fosse real nem perigoso.