Em 2022, o Brasil retornou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, após uma década de ausência. Com assento no principal mecanismo de concertação política do planeta, o país busca, agora, o seu lugar entre os grandes. Para tanto, terá de adotar uma postura proativa sem perder a coerência.

O presidente Jair Bolsonaro iniciou o ano, indo ao Suriname e reunindo-se com Pedro Castillo, o presidente esquerdista do Peru. Deveria ter ido à Guiana também e agora, acaba de aterrizar em Moscou. De lá, deverá rumar para a Polônia e, depois, Hungria.

Especialmente a viagem à Rússia tem sido fortemente criticada, embora o Brasil tenha tido o cuidado de costurar uma agenda focada na agenda econômico-comercial. Os EUA, por exemplo, pressionaram para que Bolsonaro cancelasse a agenda.

Ao mantê-la, o Brasil acerta. As relações bilaterais não podem ser definidas com base nos conflitos regionais. Obviamente, essas tensões devem ser monitoradas e compreendidas e, em casos de ruptura ou deflagração de conflitos armados, outras ações devem ser adotadas.

Os demais países não o fazem. Se aceitássemos isso, estaríamos jogando o que nos resta de soberania, na lata do lixo. O Brasil não teria relações com o Japão por conta dos seus problemas com a China. Não teríamos com a Índia por conta das rivalidades desta com o Paquistão. Chile e Argentina vivem uma “calma tensa” e nos relacionamos com ambos.

A crise Rússia – Ucrânia vem de 2014. Putin pode ser qualquer coisa, mas não é burro. A Ucrânia é um país grande demais, com cidades enormes e uma população de quase 45 milhões de habitantes. Seria um novo atoleiro para os russos. É preciso ter muita, mas muita bala na agulha para invadir um país como a Ucrânia.

Além disso, o que, de fato, a Rússia teria a ganhar? Muito pouco. O que a Rússia realmente queria era acesso ao único porto de águas quentes, que é Sabastopol, na Crimeia. Quem, de fato, quer uma guerra na Europa é o complexo industrial-militar norte-americano que banca Joe Biden.

E o Brasil pode, sim, influenciar se quiser. Tem todos os pré-requisitos de grande país para fazê-lo. No biênio 2022 – 2023, estaremos sentados com aqueles que definem a agenda internacional. Se houver vontade política e coerência, o Brasil poderá contribuir positivamente.

Por Marcelo Rech

Imagem: UN/ Manuel Elias.

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