Neste domingo, 27, o presidente Jair Bolsonaro, concedeu uma entrevista coletiva, quando teve a oportunidade de expressar, de forma clara, a posição do Brasil em relação à guerra da Rússia contra a Ucrânia. No entanto, ele hesitou e preferiu afirmar que “nós não vamos tomar partido. Vamos continuar pela neutralidade e ajudar no que for possível em busca da solução”.

Neutralidade é um termo aplicado aos fracos, àqueles que têm medo de assumir uma posição contundente diante de um fato igualmente contundente. A Rússia pode ter todas as razões para reclamar da Europa, dos EUA, da OTAN. No entanto, quem violou a soberania de um país, foi Moscou e isso não pode, sob nenhuma circunstância, ser minimamente aceito.

Obviamente, o presidente pretende salvaguardar os acordos encaminhados quando de sua recente visita à Rússia e isso não deixa de ser louvável. Por outro lado, o momento cobra coragem. No passado, a covardia de muitos permitiu que déspotas emergissem e ditassem os rumos da humanidade. Reverter essa realidade, foi algo muito mais custoso e doloroso.

Além disso, a posição do presidente da República, contraria a posição adotada pelo Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Alguma coisa está errada. Para ser levado à sério pela comunidade internacional, o país não pode enviar sinais ambíguos. Precisa assumir uma posição e pagar o preço. É preciso estar no lado certo da História.

Discordo daqueles que insistem em afirmar que o Brasil está isolado internacionalmente, mas sou obrigado a admitir que essa posição irá, sem dúvida, gerar desconfianças. Após dez anos ausente do Conselho de Segurança, o Brasil não pode perder a oportunidade de ser protagonista.

De acordo com Bolsonaro, “quase a totalidade da população ali, em referendo, disse ser favorável à independência. (…) O que a Rússia quer é a independência dessas duas áreas. Não vou entrar no mérito se tem razão ou se não tem”, afirmou. O simples comentário incorre em outro deslize. Para quem promete neutralidade, é melhor abster-se por completo.

John Kennedy já dizia que “a fórmula do sucesso não existe, mas a do fracasso é tentar agradar a todos”.

Imagem: Reprodução

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