Apesar do fracasso da Diplomacia ocidental e da mediocridade dos seus líderes, a Rússia já perdeu, mesmo ganhando a Guerra contra a Ucrânia. Vladimir Putin justificou a invasão, jogando a responsabilidade para terceiros. Na prática, ele violou todas as normas do Direito Internacional e as regras que tornam palatáveis as relações entre as Nações.

Em 2014, Putin invadiu a Crimeia e ficou por isso mesmo. A gritaria da Europa foi muito mais teatro que qualquer outra coisa. Dependente do gás russo, os europeus permitiram que o presidente russo ficasse com um naco de outro país, assim, na mão grande mesmo.

Pode-se dizer que Putin estava testando os limites da OTAN? É bastante possível. Sendo a Rússia um país nuclear e um dos membros permanentes com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, não se pode descartar essa estratégia.

O líder russo também tirou proveito da debilidade dos líderes ocidentais. Sem Angela Merkel no comando, o que temos hoje é um bando de sem noção que se ocupam muito mais em transformar a União Europeia num herbívoro, cercada de carnívoros, como me recorda o analista espanhol Nicolás de Pedro. Agora, já comentam que alguns países como a Alemanha poderiam resgatar o uso do carvão para reduzir a dependência do gás russo. Tudo muito ecológico e verde, claro.

Enquanto a Europa se perde em sua arrogância e prepotência, a Rússia executava um plano audacioso. Que o diga a Ucrânia que aceitou desarmar-se em prol da paz mundial e, pela segunda vez seguida, se vê abandonada à própria sorte.

Além disso, a Europa desarmamentista, também trata de armar a Ucrânia, depois do leite derramado, né? Isso sem contar que um dos principais lobistas pró-Rússia, é o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder, presidente do Conselho de Administração da Rosneft, o principal grupo petrolífero russo, e do Comitê de Acionistas do Nord Stream 2, o gasoduto russo-alemão também construído pela Gazprom.

Putin pode ter um zilhão de razões para fazer o que fez, mas erra ao fazê-lo. Confirma a imagem que o Ocidente lhe tem, de um tirano sem piedade que invoca justamente o Direito Internacional para justificar uma guerra ilegítima. O foro adequado para tal, é o Conselho de Segurança da ONU, onde seu país é membro permanente com poder de veto.

Até mesmo para denunciar que a ONU não passa de um cabide de empregos para uma maioria de deslumbrados mal preparados. Para atacar uma burocracia que, de acordo com a conveniência, abre e fecha os olhos. Uma instituição que parou na realidade do pós-Segunda Guerra e que, hoje, serve para muito pouco. Ou poderia ter pedido para ser ouvido em Bruxelas, a opaca capital europeia que abriga as sedes da OTAN e da UE.

Mas ele preferiu atacar, romper a soberania de um país independente para fazer valer a sua força. Agora que sabemos quem é realmente Vladimir Putin, também conseguimos saber que o sistema multilateral é capenga e que o mundo se divide entre corajosos, medrosos e covardes. Os covardes são os que ficam em cima do muro e são piores que os medrosos. Os medrosos não têm margem alguma de manobra. Os covardes têm, mas renunciam para ficarem bem com todos.

Imagem: Reprodução

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