Brasília – A Organização das Nações Unidas (ONU), estima que certa de 700 mil os ucranianos conseguiram fugir do país desde o ataque russo há dez dias. A expectativa da União Europeia é que pelo menos 4 milhões de pessoas deixem a Ucrânia em direção à Europa ocidental.

Susana Ferreira, professora de Relações Internacionais da Universidade Nebrija, de Madri, Espanha, afirmou ao InfoRel que, “se a intensidade do conflito se mantiver e não tivermos um cessar-fogo nos próximos dias, a este ritmo de chegadas poderemos assistir à maior emergência humanitária na Europa deste século”.

Na sua avaliação, “à esta crise humanitária de proporções cada vez mais alarmantes soma-se ao contexto de pressão migratória que continuamos a viver nas fronteiras meridionais da Europa”, disse. Susana Ferreira recordou que até o momento os países vizinhos (Polónia, Hungria, Moldávia, Romênia e Eslováquia), assim o restante dos países europeus, têm mantido as suas fronteiras abertas para receber os refugiados.

“As autoridades nacionais destes países junto com as agências europeias, as Nações Unidas e as ONGs têm assumido a recepção, registro, acolhimento e proteção destes indivíduos. Ante esta situação, a Comissão Europeia já propôs ativar a aplicação de uma diretiva que concederia proteção imediata para o acolhimento de refugiados ucranianos, ao tratar-se de um fluxo massivo de pessoas deslocadas, por motivos de guerra, uma diretiva que nunca se ativou desde que foi aprovada em 2001”, explicou.

“Entretanto”, ponderou, “é primordial também ativar os mecanismos de recolocação de refugiados para ‘aliviar a pressão migratória’ nos países vizinhos, observou a professora que também é doutora em Relações Internacionais e Segurança Internacional pela Universidade NOVA de Lisboa (Portugal) e pelo Instituto Universitário General Gutiérrez Mellado (UNED, Espanha), e conta com mais de dez anos de experiência em investigação e migração internacional. Susana Ferreira é, ainda, pesquisadora do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa e do Centro de Investigação do Instituto Universitário Militar.

Para ela, os momentos de crise são sempre uma oportunidade de transformação. “A União Europeia vive uma crise de governança migratória que se prolonga desde 2013 e ainda não teve a capacidade de ir mais além nos seus objetivos e de adotar uma política migratória com base nos seus valores fundacionais, de respeito pela dignidade humana, proteção dos direitos humanos e igualdade. Até ao momento os interesses nacionais dos Estados Membros têm prevalecido sobre o princípio de solidariedade”, ressaltou.

“No entanto, agora, aqueles Estados que sempre tiveram uma atitude mais anti-imigração como Polônia e Hungria, encontram-se ante uma pressão migratória inimaginável e necessitam o apoio dos demais Estados Membros. Penso que se encontram reunidas as condições para poder avançar no Novo Pacto Migratório”, concluiu.

Imagem: Sergi Grits/AP

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