O presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta sexta-feira, 4, que o Brasil se manterá neutro em relação à guerra da Rússia contra a Ucrânia e “não mergulhará em aventura”. Uma das principais preocupações do presidente diz respeito à importação de fertilizantes. O Brasil importa 80% do produto que necessita e a Rússia responde por 25% dos estoques mundiais.

Segundo ele, “temos um problema a 10 mil quilômetros daqui. Nossa responsabilidade, em primeiro lugar, é com o bem-estar do nosso povo. Nossa postura tem mostrado para o mundo como estamos agindo neste episódio. Estamos conectados com o mundo todo, e o equilíbrio, isenção e respeito a todos se fazem valer pelo chefe do Executivo”.

No entanto, na quarta-feira, 2, a Rússia anunciou a suspenção das exportações de fertilizantes para o Brasil. O anúncio foi feito pelo embaixador russo Sergey Lukashevich que explicou que o país foi obrigado a suspender o comércio já que a Lituânia fechou as fronteiras e impede acesso ao corredor logístico.

De acordo com ele, “o lado lituano proibiu o trânsito sob pretextos políticos rebuscados e declarou que o trânsito de fertilizantes de potássio bielorrussos para o Brasil, entre outras coisas, ameaçava a segurança nacional da Lituânia”. Na prática, a Bielorrussa já não exporta para o Brasil desde fevereiro. Nos últimos 12 meses, custo da tonelada do potássio subiu de US$ 320 para US$ 850.

Alternativas

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, informou que a partir de abril, pesquisadores e técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), começarão a visitar cerca de 30 polos produtivos de nove macrorregiões agrícolas do Brasil, com o objetivo de promover o aumento da eficiência de uso dos fertilizantes e insumos no campo, diminuir custos de produção dos produtores rurais e estimular a adoção de novas tecnologias e de boas práticas de manejo de solo, água e plantas

 A denominada Caravana Embrapa FertBrasil está entre as medidas de curto e médio prazo do Plano Nacional de Fertilizantes, que será lançado pelo governo federal no dia 17, para reduzir a dependência externa por importação de produtos e tecnologias, situação agravada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia.

Até o final da safra 2022-2023 os pesquisadores percorrerão as principais regiões produtoras brasileiras, enfatizando a importância do manejo sustentável dos solos e fertilizantes para maximizar a eficiência de uso destes insumos, melhorar a produtividade e garantir a competitividade da agricultura e a produção de alimentos no Brasil. O Brasil pretende reduzir em 25% a demanda por fertilizantes importados até 2030.

De acordo com o governo, o país, atualmente, consome cerca de 8,5% dos fertilizantes a nível global, ocupando a quarta posição. China, Índia e EUA aparecem no topo da lista de consumo. Esses países, ainda, são grandes produtores mundiais de fertilizantes, à exceção do Brasil, que importou em 2021 cerca de 89% das 43 milhões de toneladas consumidas na produção agrícola.

No país, as culturas de soja, milho e cana-de-açúcar respondem por mais de 73% do consumo de fertilizantes. A Rússia é responsável por fornecer 25% dos fertilizantes para o Brasil. Junto com a Bielorrússia, chega a fornecer mais de 50% do potássio consumido pelo agricultor brasileiro anualmente. 

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